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“Não quero fogo, quero água. Deixa o mato crescer em paz…deixa a onça viva na floresta…deixa o índio vivo”

Vá embora daqui coisa ruim
Some logo
Vá embora
Em nome de Deus

Tom Jobim

O Brasil de Tom Jobim não existe mais.

Foi o que disse Cristina Serra num belo texto publicado na Folha de S. Paulo.

Na verdade, uma carta dirigida a Tom, como se ela pudesse falar com ele.

No fundo, é bom que o músico não esteja mais aqui.

Seria uma tristeza para um homem que defendeu o meio ambiente, cantou para a floresta, os bichos, o índio.

E fez isso antes que essas questões ganhassem dimensão planetária.

Cristina lembra Borzeguim.

É do repertório da fase conclusiva da sua vida e não é das mais mencionadas. Mas tem uma beleza sem fim e uma letra atualíssima.

Melhor dizendo: os versos de Tom contêm um brado que precisa ser ouvido cada vez mais alto.

Borzeguim foi gravada por Gal Costa no seu disco Minha Voz, de 1982.

Deve ser o primeiro registro.

A gravação do autor está no álbum Passarim, de 1987, o penúltimo de sua carreira.

Nesse vídeo, Tom Jobim e a Banda Nova fazem Borzeguim no Festival de Jazz de Montreal.

BORZEGUIM
Letra e música: Antônio Carlos Jobim
É fruta do mato
Borzeguim, deixa as fraldas ao vento
E vem dançar
E vem dançar
Hoje é sexta-feira de manhã
Hoje é sexta-feira
Deixa o mato crescer em paz
Deixa o mato crescer
Deixa o mato
Não quero fogo, quero água (Deixa o mato crescer em paz)
Não quero fogo, quero água (Deixa o mato crescer)
Hoje é sexta-feira da paixão, sexta-feira santa
Todo dia é dia de perdão
Todo dia é dia santo
Todo santo dia
Ah, e vem João, e vem Maria
Todo dia é dia de folia
Ah, e vem João, e vem Maria
Todo dia é dia
O chão no chão (Deixa o mato crescer em paz)
O pé na pedra (Deixa o mato crescer em paz)
O pé no céu
Deixa o tatu-bola no lugar
Deixa a capivara atravessar
Deixa a anta cruzar o ribeirão
Deixa o índio vivo no sertão
Deixa o índio vivo nu
Deixa o índio vivo
Deixa o índio
Deixa (É fruta do mato)
Escuta o mato crescendo em paz (É fruta do mato)
Escuta o mato crescendo
Escuta o mato
Escuta (Escuta)
Escuta o vento cantando no arvoredo
Passarim passarão no passaredo
Deixa a índia criar seu curumim
Vá embora daqui coisa ruim
Some logo
Vá embora
Em nome de Deus
É fruta do mato
Borzeguim deixa as fraldas ao vento
E vem dançar
E vem dançar
O jacú já tá velho na fruteira
O lagarto teiú tá na soleira
Uirassu foi rever a cordilheira
Gavião grande é bicho sem fronteira
Cutucurim (Cutucurim)
Gavião (Zão)
Gavião (Ão)
Caapora do mato é capitão
Ele é dono da mata e do sertão
Caapora do mato é guardião (Jaguaretê)
É vigia da mata e do sertão
Deixa a onça viva na floresta
Deixa o peixe n’água que é uma festa
Deixa o índio vivo
Deixa o índio
Deixa (Deixa)
Dizem que o sertão vai virar mar (Dizem que o mar vai virar sertão)
Deixa o índio
Dizem que o mar vai virar sertão (Diz que o sertão vai virar mar)
Deixa o índio
Deixa, deixa