Bráulio Tavares faz 70 anos. Este grande paraibano orgulha a sua geração

Bráulio Tavares faz 70 anos nesta quarta-feira (02).

Começo com esta foto porque me aproxima do tempo em que o conheci pessoalmente, lá pela segunda metade da década de 1970.

Tinha longos cabelos pretos e usava óculos como os de John Lennon (o beatle ainda era vivo).

Na fotografia, ele aparece ao lado de Fuba e de Pedro Osmar.

Mas minha admiração por Bráulio começou alguns anos antes.

Ao passar da infância para a adolescência, louco para ser crítico de cinema, descobri seus textos no Diário da Borborema, o jornal dos Associados em Campina Grande.

O cara era muito jovem e já se mostrava um craque comentando os filmes que via no Capitólio e no Babilônia.

Pouco mais de 20 anos e com texto de gente grande. Tinha conteúdo e escrita fluente, domínio total do texto produzido para a gente ler no jornal.

Conheci Bráulio pessoalmente quando ele apareceu por aqui com seu show. O crítico de cinema que me encantara agora subia ao palco apenas com o violão para mostrar um repertório autoral incrível.

Tão fortemente marcado pelas coisas do seu lugar quanto por Bob Dylan, por quem tinha (tem) imensa admiração – influências que não lhe tiravam a originalidade.

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Tem gente que é multifacetada e não consegue produzir bem em nenhuma das áreas pelas quais transita.

Bráulio Tavares é o inverso. É multifacetado e, tudo o que faz, faz muitíssimo bem.

Tem erudição, é um homem brilhante. Faz crítica de cinema, música popular, texto literário em prosa e verso, faz cordel, é tradutor, sabe tudo de ficção-científica, escreve para televisão e teatro. O que é mesmo que ele não sabe fazer?

Faz uns 40 anos que Bráulio foi embora. Deixou Campina Grande e se fixou no Rio de Janeiro. Mas não só volta sempre, como sabe conservar, dentro de si e no que produz, as suas fontes, as suas raízes, misturando-as com o que viu lá fora.

Bráulio é grande papo. Tem ótimas histórias a contar e muita experiência a compartilhar. Tanto reverencia Ariano Suassuna quanto Bob Dylan. As ideias esteticamente atrasadas e o reacionarismo ideológico daquele nunca o afastaram deste.

A partir do início dos anos 2000 e até 2016, assinou coluna diária no Jornal da Paraíba, interrompida somente quando o jornal encerrou sua edição impressa.

Foram milhares de textos que poderiam ser transformados em vários livros temáticos. São aulas de conhecimento e impecável exercício jornalístico.

Bráulio Tavares orgulha a nossa geração.

Bráulio Tavares é um grande paraibano.