Alan Parker não esteve no topo, mas realizou excelentes filmes

Alan Parker morreu nesta sexta-feira (31).

O cineasta britânico tinha 76 anos.

Ele enfrentou uma longa doença, mas a causa da morte não foi divulgada.

Se tivéssemos que escolher uma marca profunda na sua trajetória, esta seria a música, o amor pela música, a presença dela nos filmes que realizou.

O seu cinema foi guiado pela música, desde o início.

Bugsy Malone, Fame, The Wall, The Commitments e Evita.

Não é pouco.

Evita é uma ópera-rock, inteiramente cantada.

Em The Wall, as canções do álbum conceitual do Pink Floyd contam a história, sobrepondo-se aos diálogos.

O ponto alto, para mim, é Fame, com ótimos personagens, excelentes cantores desconhecidos e grandes números musicais.

Negros, judeus, latinos, gays – todos em busca da fama numa escola de artes.

Saindo da música, há Coração Satânico e O Expresso da Meia-Noite. São barra pesada!

E há Mississippi em Chamas, seu melhor filme.

O racismo no Sul dos Estados Unidos poucas vezes foi abordado com tanta força quanto neste filme de 1988.

Alan Parker, para sermos bem verdadeiros, nunca esteve no primeiríssimo time dos cineastas do mundo.

A despeito disso, realizou quase sempre filmes muito bons.

Fecho que I Sing The Body Eletric, o belo e vibrante número de música e dança que fecha Fame.