Ivete Sangalo faz álbum delicioso para este São João do isolamento

Muitos ouvintes de gosto mais refinado costumam não gostar de Ivete Sangalo.

Alguns, por puro preconceito.

Não sabem o que estão perdendo.

É ótima cantora, sabe tudo de palco e está entre o que a Bahia produziu de melhor nas últimas três décadas.

OK. Ela fez discos de estúdio irregulares, mas os diversos registros ao vivo – sobretudo esses! – são irresistíveis.

Em meu acervo, tenho todos e gosto de todos.

O mais recente – o duplo Live Experience, gravado em São Paulo – é uma delícia.

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Estamos na semana do São João com uma surpresa: nas plataformas digitais, lá está Ivete Sangalo com o álbum Arraiá da Veveta.

São 28 minutos – pena que tão pouco! – para ouvir e dançar neste atípico São João do isolamento social.

Ivete, nas escolhas que fez e no clima do disco, traz o passado para o presente.

A sanfona é protagonista, mas as guitarras estão sempre por perto.

O xote de ontem se mistura, aqui, acolá, com uma pitada do axé de hoje.

O repertório remete a Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Genival Lacerda, Gilberto Gil, Geraldo Azevedo, Alceu Valença.

Tem Último Pau de Arara, Eu Só Quero um Xodó, Esperando na Janela, O Chevete da Menina, Dona da Minha Cabeça, Táxi Lunar e hits baianos como Vem Meu Amor e Flor do Reggae.

Neste arraial, Ivete Sangalo sai da sua praia com a categoria de quem sabe o que faz.