Live de Gilberto Gil e Iza foi um bálsamo em tempo de pandemia

Gilberto Gil e Iza fizeram uma live na noite deste sábado (20).

Ele, com sua voz e seu violão, a recebeu no sítio onde está recolhido durante a pandemia.

Ela foi até lá interpretar canções de Gil com a bela voz que a projetou na cena atual da música brasileira.

Fizeram, por pouco mais de 60 minutos, um show com 14 números.

José, o caçula de Gil, tocou percussão. Sua irmã Bela falou de alimentação e dos que passam fome, enquanto as pessoas eram convidadas a fazer doações para alimentar os que estão sem ter o que comer por causa da pandemia.

Dez músicas de Gil, três que são do seu repertório, mas não de sua autoria, e uma surpresa – este foi o programa da live.

A surpresa: Upa Neguinho, do Edu Lobo da era dos festivais, que Gil não costuma tocar.

Foi um encontro de muitas e grandes belezas.

Iza tinha a excitação da juventude.

Gil, a sabedoria e a serenidade de quem fará 78 na próxima sexta-feira (26).

Iza não escondia que também é fã.

Gil a acolhia com sua fala mansa e seu sorriso largo.

Iza, que teve o protagonismo vocal, escolheu parte do repertório.

Gil fez maravilhosas intervenções vocais.

Sozinho, cantou Se Eu Quiser Falar Com Deus.

O roteiro contemplou a década de 1960 (Aquele Abraço), a de 1970 (Esotérico, No Woman No Cry) e várias vezes a de 1980 (Andar com Fé, Drão, Tempo Rei, Vamos Fugir, Palco, etc.). Esperando na Janela, que não foi composta por Gil, é um sucesso do início dos anos 2000.

Houve informalidade, mas não improviso. Foi um show bem pensado e bem ensaiado, à altura do encontro e do caráter de ação social que teve.

Em sua extensa trajetória, Gil sempre dialogou tanto com as matrizes quanto com as novidades.  Faz parte da sua alma de artista e do belo homem que ele é.

Nesse momento tão difícil que atravessamos, vê-lo dividir aquelas canções com Iza foi um verdadeiro bálsamo.