Clint Eastwood faz 90 anos. É realizador de grande cinema

Clint Eastwood faz 90 anos neste domingo (31).

Ele começou a atuar como ator aos 25, mas só se projetou depois dos 30, quando foi fazer filmes na Itália, dirigido por Sergio Leone.

Um americano protagonizando westerns italianos – os cultores do gênero não gostaram.

Em seguida, vieram os trabalhos com Don Siegel, mestre do filme B. O Estranho que Nós Amamos é produto dessa parceria.

O Eastwood diretor começou muito tarde, aos 41 anos, mas com uma estreia promissora, o thriller Perversa Paixão.

O Estranho Sem Nome parecia mais com um Leone do que com os westerns americanos.

Dirigindo, Clint Eastwood seria, então, o encontro de Sergio Leone com Don Siegel?

A resposta até pode ser sim, mas a filmografia que o realizador construiu ao longo de quase meio século mostra que ele é muito maior do que os dois. Conquistou o direito de figurar entre os grandes diretores de cinema do mundo.

Eastwood é republicano e reacionário, mas não o seu cinema.

Juntos, os filmes que dirigiu compõem um admirável painel da América.

São retratos do seu processo civilizatório, das engrenagens do poder, do espírito bélico, da corrupção, da violência, do racismo, dos perdedores, dos seus artistas – de um lugar que tanto separa os homens pela cor da pele quanto lega ao mundo uma expressão musical do nível do jazz.

Amante da música e, particularmente, do jazz, Eastwood fez de Bird, cinebiografia do gênio Charlie Parker, um dos pontos altos da sua filmografia.

Os Imperdoáveis, Oscar de melhor filme, é uma obra-prima. Recupera o gênero western e atualiza seus temas centrais.

As Pontes de Madison é uma história de amor narrada com extraordinária sensibilidade.

Um Mundo Perfeito é vigoroso road movie. Como o recente A Mula, que, talvez, tenha mostrado o cineasta atuando como ator pela última vez.

Sobre Meninos e Lobos e Menina de Ouro são pequenas obras-primas.

A Conquista da Honra, Gran Torino e Sniper Americano se debruçam sobre deep areas dos Estados Unidos.

J. Edgar fala dos subterrâneos da política, de sexo e poder.

Saindo da América, Invictus dá aula de política ao retratar um momento da trajetória de um líder da estatura de Nelson Mandela.

Clint Eastwood tem uma assinatura inconfundível.

Faz cinema impecável e sem excessos.

Muitas vezes, prefere o mínimo, a contenção. Como os breves temas musicais que ele mesmo escreve para seus filmes.

Com o mínimo, faz o máximo.