Charanga em frente ao Planalto desrespeita mortes por Covid-19

Domingo, 17 de maio de 2020.

16 mil mortos.

240 mil infectados.

São os números oficiais da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

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Por volta do meio-dia, como em qualquer outra hora, milhares de pessoas lutavam por suas vidas assistidas pelos profissionais da saúde.

Pacientes, médicos, enfermeiros – gente submetida tantas vezes a condições inadequadas ao enfrentamento da doença.

Pois bem. Por volta do meio-dia, o que se passava em Brasília, em frente ao Palácio do Planalto, só não era estarrecedor porque tinha como protagonistas o presidente Jair Bolsonaro, seus ministros e apoiadores.

Parecia uma charanga carnavalesca.

Diante das grades, um monte de pessoas gritava, cantava, dizia palavras de ordem, exibia faixas e cartazes.

Do alto da rampa, o presidente, os filhos 02 e 03 e uma dezena de ministros acenavam para os manifestantes na manhã ensolarada.

Uma festa.

Um garotinho vestido de militar nos braços de Bolsonaro, uma mulher com três bandeiras (Brasil, Estados Unidos e Israel) num só mastro, uma grande bandeira brasileira estendida sobre a rampa.

De repente, acontece o que já está no roteiro dessas manifestações que se tornaram habituais no domingo brasiliense: o presidente desce a rampa com sua turma e vai ao encontro do povo.

Chega perto, acena, caminha de um lado para o outro, é ovacionado.

Mito! Mito! Mito!

Depois, sobe a rampa com os seus. Diz algumas palavras, elogia a manifestação, chama de democrática, etc.

Tudo transmitido numa live.

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Domingo, 17 de maio de 2020.

16 mil mortos.

240 mil infectados.

São os números oficiais da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

Cabe uma pergunta:

O que era mesmo que o presidente, seus ministros e aqueles manifestantes comemoravam em frente ao Palácio do Planalto?