A fala de Roberto Cavalcanti e a luta entre civilização e barbárie

Roberto Cavalcanti, dono do Sistema Correio de Comunicação, ao criticar a divulgação do número de mortes pela Covid-19, sugeriu que jornalistas e radialistas fossem apedrejados.

Além de inaceitável, a declaração, feita nesta quinta-feira (14) durante um programa de rádio, é absolutamente incompatível com o que o empresário é há uns 40 anos: empregador de jornalistas e radialistas.

Se, por um lado, a fala de Roberto é incompatível com a sua condição de empregador de jornalistas e radialistas, por outro, ela está perfeitamente afinada com o pensamento de ultradireita que levou Jair Bolsonaro ao poder nas eleições de 2018.

No confronto entre civilização e barbárie que testemunhamos no Brasil de 2020, a defesa do apedrejamento de profissionais de jornalismo está do lado da barbárie.

O conteúdo jornalístico que o empresário critica é o lado da civilização. Da imprensa que cumpre o seu papel de informar a população, de prestar serviço e, no caso específico de uma pandemia, de orientar corretamente as pessoas para que suas atitudes contribuam para salvar vidas, para diminuir o número de mortes.

Não. Não parece placar de um jogo de futebol a divulgação dos números da pandemia do novo coronavírus. O Jornal Nacional faz isto diariamente e o faz dando aos dados a dimensão grave e trágica que eles de fato têm. É necessário. É imprescindível. Os números são assustadores e, não fossem as subnotificações, seriam ainda maiores.

O Jornal Nacional, para ficarmos com o exemplo mais eloquente, tem desempenhado admirável papel na cobertura dessa tragédia humana. É uma aula cotidiana do melhor jornalismo. O futuro logo dirá quem esteve com a civilização e quem optou pela barbárie.