Roberto Carlos é anti-Bolsonaro na live em homenagem às mães

Roberto Carlos nunca foi de se envolver explicitamente com política, de fazer declarações públicas.

Nos anos 1960/70, quando seus colegas se posicionavam contra a ditadura, ele esteve em silêncio.

Os militares gostavam.

Viam no seu silêncio uma influência que julgavam positiva, uma maneira de manter os jovens longe das contestações ao regime.

A despeito disso, o artista visitou Caetano Veloso no exílio londrino e compôs uma música para ele.

Também falou por Caetano ao cantar: “Tudo certo como dois e dois são cinco”.

Neste domingo (10), na live em homenagem ao Dia das Mães, Roberto Carlos disse muito para quem fala pouco.

“Temos que ser radicais nessa questão do isolamento social” – foi o que ouvimos dele.

Não é preciso que tenha sido esta a sua intenção, mas Roberto foi o próprio anti-Bolsonaro ao defender que é necessário que sejamos radicais com o isolamento social neste instante em que a Covid-19 já matou mais de 10 mil brasileiros e segue em curva ascendente.

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro se posiciona irresponsavelmente em relação à pandemia do novo coronavírus, esse artista a quem chamamos de Rei deu o recado que o momento pede.

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Roberto Carlos gostou de fazer live.

Fez a primeira no dia do seu aniversário, 19 de abril.

Na segunda, comemorou o Dia das Mães.

Na primeira, foi acompanhado por dois teclados.

Na segunda, levou um quinteto (dois teclados, guitarra, baixo e bateria) para o estúdio.

Os músicos usavam máscaras e obedeciam a distância recomendada pelas autoridades sanitárias.

Dessa vez, tirou Jesus Cristo do repertório (já havia tirado Emoções), foi buscar Se Você Pensa lá na sua fase soul e dividiu Ternura com Wanderléa.

Cantou o único rap do seu repertório (Seres Humanos) e fez lindamente Senza Fine, standard do cancioneiro italiano.

Fechou com Luz Divina, um gospel com pegada roqueira.

Roberto Carlos ao vivo?

É sempre muito bom!