Morre Ricardinho, primeira grande bicha do rock. Viva Little Richard!

Esse negócio de subir ao palco com o rosto todo pintado e soltar a franga, quem inventou foi ele, na década de 1950.

Desbunde, essa palavra que, só muito mais tarde, entrou para o nosso vocabulário, isso já estava nas suas atitudes e nas suas performances desde que o rock é rock.

A sua Tutti-Frutti, quem transformou num hit em escala planetária foi Elvis, que podia fazer da música negra algo palatável para os brancos.

Mas o grito original, com toda sua potência, é dele.

A wop bop alu bop, a wop bam boom!

O grito de Tutti-Frutti é o próprio grito do rock no instante da sua gestação.

Elvis era o Rei, claro, mas havia os negros por perto. Gente como Chuck Berry e Little Richard, que morreu neste sábado (09) aos 87 anos.

Em Richard, como em Berry, há pioneirismo, há invenção.

Sabem Long Tall Sally, que os Beatles gravaram?

Sabem Lucille?

E Good Golly Miss Molly?

E Rip It Up?

Todos esses rocks enlouquecidos e viscerais que a gente ouve até hoje – eles estão lá longe, no set list dos shows que Little Richard, com sua banda e seu piano, fazia nos anos 1950.

Mick Jagger, Prince, James Brown, Michael Jackson, David Bowie – na performance ao vivo de todos eles há algo, ou há muito de Little Richard.

Jimi Hendrix tocou com ele quando ainda não era Jimi Hendrix.

Os Beatles abriram para ele quando ainda não eram os Beatles.

Ele já era Little Richard, batizado Richard Payne Penniman.

O rock é de Deus ou é do diabo?

Formado cantor numa igreja pentecostal da América, Little Richard viveu esse dilema.

Reza a lenda que, num avião em perigo, fez uma promessa:

Rock, nunca mais!

O negócio agora é gospel music!

Cumpriu a promessa?

Que nada!

O rock nunca saiu da sua vida.

Foi um artista imenso!

Little Richard!

Ricardinho, a primeira grande bicha do rock!