No dia do jornalista, lembro como é triste ser vetado por amigos

Hoje, sete de abril, é o dia do jornalista.

Se a Covid-19 não me levar, farei 61 anos em junho.

Aos 15, em outubro de 1974, comecei a publicar meus primeiros textos, conduzido pelo grande crítico de cinema Antônio Barreto Neto.

Saímos – Barreto e eu – numa rural da Secretaria de Divulgação e Turismo em direção ao velho Correio da Paraíba de Teotônio Neto, que ficava na Barão do Triunfo, e, lá, fui entregue ao editor, Jurandy Moura, homem culto que transitava entre o jornalismo, o cinema e a literatura.

A União da segunda metade da década de 1970 e início da de 1980.

A TV Cabo Branco nos seus primeiros 20 anos.

A essência do que sou como jornalista vem dessas duas experiências.

Antônio Barreto Neto, Agnaldo Almeida, Gonzaga Rodrigues – mestres em A União.

Erialdo Pereira – mestre na TV Cabo Branco.

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Nesse dia do jornalista do ano de 2020, é imprescindível registrar o papel que a grande imprensa tem cumprido na cobertura da pandemia do novo coronavírus, enquanto todos nós – veículos e profissionais que neles atuam – somos chamados de podres e sebosos (isso mesmo!) pela ultradireita que chegou ao poder na eleição de 2018.

Antes da pandemia, e também é necessário dizer, a ultradireita e muitos dos que estão no outro extremo da luta política se juntavam em críticas duras e quase sempre improcedentes à imprensa. Não entendiam (não entendem) o quanto nossa frágil democracia precisa do jornalismo profissional e dos grandes veículos de comunicação.

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Às vésperas dos 61, ainda conservo algo (quase nada) de romântico quando penso no ofício que escolhi. Talvez por causa dos mestres que tive, da simplicidade deles, da capacidade que tinham de acolher os jovens que chegavam. Dos valores que me ensinaram.

Mas o restinho desse romantismo se desmancha se pensarmos no amanhã. Depois do terremoto digital, o que ficará para os jovens jornalistas – os garotos e garotas a quem caberá comandar as redações?

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No terreno pessoal, o jornalista que há dentro de mim não tem mais ilusões. Apenas contempla a luta insana por espaço, a vaidade sem tamanho dos que botam a cara no vídeo, o exercício tolo do poder, a falta de consciência de que as coisas – na vida e no trabalho – valem muito menos do que parecem valer.

No terreno pessoal, o jornalismo me deu muitas alegrias, mas também muitas tristezas.

A alegria pelo sucesso de uma cobertura importante, bem planejada e bem realizada.

A tristeza de ser cotidianamente violentado pela linha editorial do veículo onde você esteve.

A alegria pelo êxito de uma entrevista com a qual você sonhou durante anos.

A tristeza de ser vetado, impedido de publicar pelos amigos em cujo talento você apostou. Isso aí deixa feridas que o tempo não fecha.