Vladimir Carvalho diz que esse golpe, antes de atingir Gonzaga, fere de morte a cultura paraibana

Acabo de receber esse texto do cineasta Vladimir Carvalho, esse imenso paraibano, e compartilho com vocês:

Como paraibano e leitor assíduo de Gonzaga Rodrigues, arrogo-me o direito de protestar contra a clamorosa atitude da direção da EPC dispensando os seus serviços como cronista de A União.

Esses anos todos vivendo eu fora da Paraíba, Gonzaga foi para mim uma espécie de filtro, um farol obrigatório por meio do qual eu vivia à distância todo o pulsar da vida paraibana, que ele sentia com a percepção de altíssimo poeta da crônica, como nenhum outro o conseguiu.

Esta é uma curtição que já vai para mais de sessenta anos e é coincidente com meus primeiros passos de escrevinhador, pois foi justamente no suplemento A União nas Letras e nas Artes que me iniciei escrevendo sobre cinema, lance básico do meu ingresso na prática de filmar.

Desde aí nunca mais perdi de vista o autor de Notas do meu lugar, estivesse ele onde estivesse, fosse em O Norte, de José Leal, no Correio, de Teotônio Neto ou no próprio jornal oficial do estado, sempre descobri um meio de lê-lo e apreciá-lo. Da mesma forma como toda a Paraíba habituou-se a fazê-lo.

Jamais esqueci o que me foi dito por Moacir Werneck de Castro, saudoso profissional da linha de frente do jornalismo brasileiro, editado em muitos livros, ao me saber conterrâneo de Gonzaga: “Para mim ele é um dos mais brilhantes cronistas deste país”. Amigo de Rubem Braga, de Fernando Sabino e de Paulo Mendes Campos, sabia do que estava falando. Estivera de passagem por João Pessoa e lera um dos mais recentes livros do autor de Café Alvear.

Por tudo isso senti-me indignado com essa notícia e não entro nas cogitações burocráticas desses sabujos, que buscam pífia e traiçoeira justificativa para desferirem esse golpe que antes de atingir Gonzaga Rodrigues fere de morte a cultura paraibana. Neste momento somos todos Gonzaga, nosso Neguinho, gênio da raça !