Desculpem, mas acho uma graça arrependido de voto em Bolsonaro

Juca Kfouri disse que os arrependidos são bem-vindos.

Falava dos que votaram em Jair Bolsonaro e agora acham que não deveriam ter votado.

É um comportamento nitidamente cristão o do jornalista, e às vezes não é fácil ser cristão.

Ou, então, é politicamente estratégico o que Kfouri escreveu.

Não sei.

Tenho dificuldade de assimilar certos arrependimentos.

O de Lobão, por exemplo.

Lobão pode ser louco, mas burro ele não é.

E é o cara que fez Me Chama.

Na noite da vitória de Bolsonaro (28 de outubro de 2018), o roqueiro apareceu num vídeo diante de um caixão.

Comia mortadela e ridicularizava a Lei Rouanet.

Era o velório do PT.

Ou da esquerda brasileira.

Era uma comemoração pela vitória de Bolsonaro.

Uma cena absurda, imperdoável, somente compatível com o pior do ultradireitismo nacional e com os mais mesquinhos sentimentos de ódio.

Agora, Lobão anda dizendo que está arrependido de ter votado em Bolsonaro.

Não devia.

Devia ter usado a sua inteligência para não ter votado.

Lembro disso agora por causa de outros arrependimentos, mais recentes.

O do governador João Doria.

O da deputada Janaína Paschoal.

Gente como Lobão, Doria, Janaína – essa gente elegeu Bolsonaro, colocando o Brasil num impasse cuja saída ainda não vislumbramos.

Desculpem, mas acho uma graça que estejam arrependidos!