Collor, Zélia, Lula, Chico Mendes e Paul McCartney no Maracanã

15 de março de 1990.

Posse de Fernando Collor, o primeiro presidente eleito pelo povo desde Jânio Quadros.

16 de março de 1990.

Anúncio do Plano Collor, que incluía o traumático confisco da poupança dos brasileiros.

Lá se vão exatos 30 anos nesta segunda-feira 16 de março de 2020.

21 de abril de 1990.

Paul McCartney fazia o último dos seus dois shows no Rio de Janeiro, em sua primeira vez no Brasil.

Havia 180 mil pessoas no Maracanã, número que foi parar no Guinness Book.

Especulava-se que o presidente Collor iria. Não foi.

Quem estava lá era a ministra Zélia Cardoso de Mello, da Fazenda, vaiada ao chegar à tribuna de honra do estádio.

McCartney havia gravado, no seu disco mais recente, uma canção dedicada a Chico Mendes, líder dos seringueiros e ambientalista brasileiro assassinado em dezembro de 1988.

How Many People não estava no set list do Maracanã, mas, no meio do show, McCartney falava um pouco sobre o seu compromisso com a defesa dos animais e do meio ambiente.

A fala terminava com um brado do músico: Chico Mendes!

A plateia reagiu cantando:

Olê, olê, olê, olá! Lula! Lula!

Lula, quatro meses antes, fora derrotado na disputa eleitoral por Collor.

Em 1990, ele ainda não tinha a dimensão internacional que conquistaria depois, e McCartney, muito provavelmente, não entendeu o que a multidão cantava.

Pode ter parecido apenas um desses “gritos de guerra” entoados nos estádios de futebol.

Para mim, foi um sinal claro de que o confisco da poupança já levara parte da popularidade do presidente empossado há pouco mais de um mês.

30 anos se passaram, e cá estamos nós às voltas com mais um impasse brasileiro.