Prostituta oferece três furos ao cliente. Bolsonaro diz que repórter da Folha quis dar o furo. Quem, afinal, vai conter o presidente?

O vídeo que reproduzo em seguida é chamado de Jornalista da Folha.

Nele, uma prostituta oferece três furos ao cliente e se sente profundamente ofendida quando é confundida com uma jornalista da Folha.

O vídeo é inqualificável como violento ataque ao exercício jornalístico e à liberdade de imprensa, mas precisa ser visto por aqueles em quem ainda resta algum bom senso.

Nesta quarta-feira (19), a Folha de S. Paulo completa 99 anos.

Nesta terça-feira (18) à noite, o jornal iniciou as comemorações do seu centenário com a exibição, num cinema paulistano, de Cidadão Kane, de Orson Welles.

Um debate ressaltou os méritos do filme e a sua atualidade.

Horas antes, a edição online da Folha mancheteava:

Bolsonaro insulta repórter da Folha com insinuação sexual

A matéria referia-se à entrevista que o presidente dera pouco antes na frente do Palácio da Alvorada.

Sua fala continha um ataque inaceitável à repórter Patrícia Campos Mello.

O dia foi de duras reações ao que Bolsonaro disse.

Alguém classificou (muito bem) como repugnante.

Mais tarde, num necessário e contundente editorial, a Folha de S. Paulo afirmou que o presidente “faz carga contra o edifício institucional da democracia brasileira”.

E mais: que “o chefe de Estado comporta-se como chefe de bando. Seus jagunços avançam contra a reputação de quem se anteponha à aventura autoritária”.

O comportamento do presidente Jair Bolsonaro, frequentemente incompatível com o cargo que ocupa, é muitas vezes banalizado, tratado como algo perfeitamente aceitável.

Não é.

O insulto à repórter da Folha é pior e muito mais grave do que tudo o que já ouvimos dos homens que governaram o Brasil.

Ninguém vai conter o presidente?

As instituições democráticas estão funcionando em sua plenitude ou será que elas já começam a perder a função que de fato têm?

Há uma aventura autoritária em curso?

Não minimizemos o que está acontecendo.

É um momento grave da vida nacional e da democracia brasileira.