Unhandeijara Lisboa, Vila 777 e a consciência universal de Jaguaribe

Madalena Alves, minha avó Stella e minha mãe eram amigas da Igreja do Rosário.

Madalena fora professora do meu pai.

Madalena foi a primeira vereadora de João Pessoa.

Só entende quem conhece a geografia do bairro de Jaguaribe: a frente da sua casa ficava na Alberto de Brito. Os fundos davam para a Senador João Lira.

Foi naquele quintal que seu sobrinho Unhandeijara (Nandi) Lisboa construiu um lugar para morar.

Uma casinha linda, toda de tijolos aparentes.

Tinha até nome:

Vila 777.

Alarico Correia Neto passou um tempo lá.

Carlos Aranha também.

Gonzaguinha foi hóspede.

Belchior, visitante.

Martinho Campos, frequentador.

O negócio de Nandi era xilogravura.

Arte Postal.

Clube da Gravura.

Ativismo cultural.

No dia 22 de novembro de 1975, um sábado, Nandi abriu os portões da Vila 777 para a primeira edição da Noite de Consolidação da Consciência Universal de Jaguaribe. Não sei se houve outras.

Dois dias antes, morrera Franco, o ditador espanhol.

Houve um momento da festa em que a morte do generalíssimo foi celebrada.

Todos gritaram:

Franco está morto!

Viva a Espanha!

Viva a Democracia!

Unhandeijara Lisboa nos deixou nesta terça-feira (11).