Só deu Parasita no Oscar 2020 em noite incrivelmente surpreendente

Começo por Democracia em Vertigem.

A ultradireita brasileira deve ter amanhecido feliz porque o filme de Petra Costa não ficou com a estatueta de Melhor Documentário.

O prêmio foi para American Factory.

Mas, convenhamos, não foi uma noite de festa para ultradireitistas.

Nem os daqui, nem os de lá, nem os de qualquer lugar.

Foi uma cerimônia que reconheceu novos caminhos do cinema e laureou ostensivamente um dos seus representantes.

Que 1917 que nada!

As previsões estavam todas erradas.

No Oscar 2020, só deu Parasita, o filme que já arrebatara a Palma de Ouro no ano passado.

Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original.

Quatro das seis indicações.

O diretor Bong Joon-ho parecia não acreditar.

Uma versão atualizada da luta de classes num filme da Coreia do Sul que, naturalmente, não é falado em inglês – é este o grande vencedor do Oscar 2020, uma edição incrivelmente surpreendente do maior prêmio do cinema.

Claro, teve Brad Pitt (Melhor Ator Coadjuvante).

E teve Laura Dern (Melhor Atriz Coadjuvante).

Teve Renée Zellweger (Melhor Atriz).

E teve Joaquin Phoenix (Melhor Ator), justissimamente premiado por seu desempenho em Coringa.

Phoenix e a mais longa fala da noite. Longa e engajadíssima.

Vestida de vermelho, aos 82 anos, a atriz e ativista Jane Fonda anunciou o prêmio mais importante da cerimônia e a consagração de Parasita.

*****

Uma nota pessoal: dos filmes que disputaram o Oscar de Melhor Filme, o meu preferido é O Irlandês, que entrou cheio de indicações e saiu sem nenhuma estatueta.

A homenagem de Bong Joon-ho a Martin Scorsese foi digna e simbólica.

O Irlandês é um filme sobre a passagem do tempo feito por homens velhos.

O grande cinema de Scorsese vive o seu ocaso.

O bastão agora está em outras mãos.

Mãos representadas pela vitória extraordinária de Parasita.