Críticos da Globo vibram com Zezita no horário nobre da Globo

Zezita Matos é um dos grandes nomes do teatro paraibano.

Brilha também no cinema e na televisão.

Sua performance em Velho Chico foi um sucesso.

Agora, fez uma participação em Amor de Mãe.

É sempre incrível vê-la atuando.

Tem 78 anos e uma bela história de vida e arte.

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As redes sociais se encheram de registros sobre a presença de Zezita em Amor de Mãe.

O talento paraibano exibido para todo o Brasil – coisas assim.

Muito justo.

Mas algo chamou minha atenção.

Alguns críticos da Globo vibraram com Zezita Matos no horário nobre da Globo.

A chancela da Globo confirma seu talento?

Seria isto?

Querem saber minha opinião sobre esses comentários?

Acho de uma absoluta falta de coerência.

Ou, no fundo, revelam um amor nunca declarado pela inegável qualidade do que a Globo produz.

A Constituição é uma porcaria? Não! Ela merece respeito!

Nesta quarta-feira (26), num vídeo, vi um jornalista dizer que a Constituição de 88 é uma porcaria.

Vi com tristeza.

Com virtudes e defeitos, é a que temos.

É a que foi possível como resultado do Congresso eleito para redigi-la.

E é a que deve ser respeitada.

Formada após as eleições de 1986, a Assembleia Nacional Constituinte entregou ao povo brasileiro, no dia cinco de outubro de 1988, aquela que ficou conhecida como Constituição Cidadã.

Nosso “livrinho” imprescindível.

Testemunhamos ao vivo.

Foi um momento histórico da reconstrução da democracia no Brasil.

Os que vão às ruas no dia 15 de março defender o presidente Bolsonaro, embalados pelo “foda-se” do general Heleno, são livres para fazê-lo.

Mas algumas de suas bandeiras afrontam a Constituição.

E parecem apontar para o fato de que aquele ciclo iniciado com o fim da ditadura está terminando.

A ditadura que Bolsonaro já defendeu tantas vezes não permitiria que ninguém chamasse de porcaria a Constituição vigente.

Fecho com um trecho do discurso de Ulysses Guimarães na sessão em que a Constituição de 88 foi promulgada.

Bolsonaro quer fechar o Congresso? Cadê as armas da democracia?

Nesta quarta-feira de cinzas (26) é que começa o ano de 2020 para nós, brasileiros.

Na terça-feira do carnaval de 2019, houve o episódio do golden shower, inocente para o que temos agora.

Na terça-feira do carnaval de 2020, leio que o presidente Bolsonaro enviou, via whatsapp, um vídeo de convocação para as manifestações do dia 15 de março.

Será o “Dia do foda-se” – dizem as redes sociais.

“Foda-se” quem?

O Congresso Nacional?

Numa democracia, o povo é livre para ir às ruas.

Mas o povo deve ir às ruas defender o que atenta contra a Constituição?

É normal que o faça?

E é normal que o presidente da República defenda um ato que, sabemos todos, será contra a democracia?

O Congresso Nacional (como o STF), com todas as críticas que a ele possam ser feitas, é indispensável à vida democrática.

No Brasil, que nesta quarta-feira acorda de mais um carnaval, tem muita gente flertando com uma aventura autoritária.

Quem não quer essa aventura precisa apresentar as armas da democracia.

Enquanto há tempo.

George Harrison na sua melhor composição e em cinco álbuns

Uma canção e cinco álbuns como lembranças de George Harrison.

Que tal?

Se estivesse vivo, nesta terça-feira (25), ele faria 77 anos.

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Qual a grande canção de Harrison?

Para mim, Something.

É a segunda faixa do lado A de Abbey Road, de 1969, último disco gravado pelos Beatles. E única música de Harrison a ocupar, também em 1969, o lado A de um single do grupo (no lado B, ficou Come Together).

Foi composta ao piano, em 1968, durante as gravações do Álbum Branco, provavelmente sob inspiração de Ray Charles.

O primeiro verso da letra (“something in the way she moves”) vem de uma canção de James Taylor, gravada pouco antes no selo Apple, que pertencia aos Beatles.

Muita gente regravou Something: o próprio Ray Charles, Elvis Presley, Frank Sinatra. É a música mais regravada dos Beatles, à exceção – claro! – de Yesterday.

The Voice, numa performance ao vivo, uma vez atribuiu a autoria à dupla Lennon/McCartney.

Joe Cocker, espécie de cover branco de Ray Charles, fez uma belíssima e impactante releitura da canção no segundo disco de sua carreira.

Harrison interpretou Something ao vivo no concerto para Bangladesh, em 1971. Duas décadas depois, fez novo registro ao vivo, no álbum gravado no Japão. Nas duas gravações, quem está ao seu lado é o guitarrista Eric Clapton.

Num álbum dedicado ao cancioneiro dos Beatles, Sarah Vaughan transformou a balada em bossa nova e ainda convidou Marcos Valle para cantar um trecho em Português.

Paul McCartney a incorporou ao set list dos seus shows como tributo ao amigo.

A gravação dos Beatles beira a perfeição.

O vocal de George, as vozes de John e Paul, o solo de guitarra, as notas graves do piano, o caminho percorrido pelo baixo, as cordas arranjadas e conduzidas por George Martin.

Na minha opinião, nenhuma versão de Something supera a dos Beatles.

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All Things Must Pass.

O melhor disco de Harrison. Um álbum triplo gravado logo após a dissolução dos Beatles.

Tem algumas das suas canções mais conhecidas, além de uma longa jam session com os amigos.

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The Concert for Bangladesh.

Traz  o concerto realizado em Nova York, em agosto de 1971.

George e os amigos tocam e cantam para arrecadar fundos para a população faminta de Bangladesh.

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Living in the Material World.

Give Me Love, um grande hit, puxa o repertório desse disco feito por um artista perfeccionista.

O repertório reúne belas e melancólicas baladas compostas por Harrison.

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Cloud Nine.

Último disco autoral de George. Rocks e baladas se alternam num trabalho maduro.

Há uma certa nostalgia nas canções, como se, às vezes, a gente estivesse ouvindo os Beatles.

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Traveling Wilburys.

Uma brincadeira de George com seus amigos famosos. Entre eles, Bob Dylan e Roy Orbinson, que morreu logo após a gravação.

Os cinco interantes do grupo usaram pseudônimos.

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Em 69, frevo de Caetano Veloso fez Brasil descobrir o trio elétrico

Salvador, 16 de março de 1980.

Sábado de carnaval.

Era quase noite quando o caminhão posicionou-se na Praça Castro Alves.

As pessoas se aproximaram, e os primeiros sons ainda não eram do frevo.

O cantor do trio começou, numa cadência lenta:

“Vem, meu amor feito louca, que a vida tá pouca e eu quero muito mais”.

Logo, logo, a coisa virou frevo e o grupo jogou luz, muita luz, sobre a multidão:

“Pra libertar meu coração, eu quero muito mais que o som da marcha lenta”.

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Essa foi a primeira – e inesquecível! – visão que eu tive do fenômeno ao vivo.

Era o Trio Elétrico Dodô & Osmar, com Armandinho na guitarra principal e Moraes Moreira como cantor.

Àquela altura, a invenção que tanto orgulha o povo baiano completava 30 anos.

Até 1969, estava restrita à Bahia.

A dimensão nacional foi conquistada a partir do frevo Atrás do Trio Elétrico, que Caetano Veloso gravou quando estava confinado em Salvador, antes de partir para o exílio em Londres.

O que foi se consolidando nos anos seguintes, o Brasil inteiro conhece: a transformação do carnaval de Salvador numa gigantesca festa popular. Sim. E um grande negócio movido pela música que os baianos produzem.

Uma série de LPs lançados anualmente pela Continental a partir de meados da década de 1970 registra toda a beleza do trabalho do Trio Elétrico Dodô & Osmar.

Nesses discos, há muitos temas instrumentais e contagiantes frevos cantados por Moraes Moreira.

O primeiro, gravado para o carnaval de 1975, festejava o jubileu de prata.

Quando vi ao vivo, o trio fazia 30 anos.

Agora, neste carnaval de 2020, comemora seus 70 anos. Já se aproxima dos 80 carnavais da letra de Bloco do Prazer.

O tempo passou, mas a invenção sobreviveu.

O trio elétrico é um argumento eficaz contra os que querem cortar o barato da música popular brasileira, disse Caetano Veloso.

Viva Dodô & Osmar!

É meu bonde, é meu bonde, meu bom. Esse funk é bom demais!

Margem, de Adriana Calcanhotto, é um dos melhores discos brasileiros do ano passado.

Depois de lançar o CD, ela saiu em turnê.

O show foi gravado ao vivo.

Nesta sexta-feira (21), conhecemos o primeiro resultado: o vídeo oficial e o single com o funk Meu Bonde.

É arrebatador!

Recife adormecia, ficava a sonhar, ao som da triste melodia

Música de carnaval é feita para dançar nas ruas e nos salões.

Dispensa as discussões sobre “qualidade”.

Mas, se quisermos debater, algo me parece claro: entre todos os gêneros musicais carnavalescos, o frevo pernambucano é o mais rico.

O frevo de bloco que prefiro? Evocação No 1, de Nelson Ferreira.

E o frevo de rua? Último Dia, de Levino Ferreira.

Vamos ouvi-los?

Zé Mojica/Zé do Caixão era um lixo que passou a ser cultuado

O cineasta José Mojica Marins, o criador de Zé do Caixão, morreu nesta quarta-feira (19) em São Paulo.

Aos 83 anos, estava hospitalizado com uma broncopneumonia.

Com problemas renais e a memória comprometida por uma demência senil, tinha a saúde bastante deteriorada desde um enfarte sofrido em 2014 .

O primeiro filme de Mojica que vi foi O Estranho Mundo de Zé do Caixão. Mas nenhum dos seus filmes é tão festejado quanto À Meia-Noite Levarei sua Alma, de 1964.

Claro, há O Despertar da Besta, que foi interditado pela Censura e, mais tarde, deixou muita gente impactada.

Como comecei a ver Mojica muito cedo, alcancei o tempo em que ele não era respeitado. Era tratado como verdadeiro lixo. E, anos depois, testemunhei o instante em que passou a ser cultuado dentro e fora do Brasil.

José Mojica Marins, o criador, e Zé do Caixão, a criatura, muitas vezes pareciam uma só pessoa.

Zé Mojica e Zé do Caixão eram, na verdade, um grande personagem.

Mojica, com seus filmes toscos, morre com o status de mestre do cinema brasileiro de terror. Criou um estilo, criou um tipo original, tinha uma assinatura marcante.

Anos atrás, estive com ele nos bastidores de uma entrevista, na TV Cabo Branco.

Fui conquistado por sua simplicidade e por uma conversa pra lá de agradável.

Prostituta oferece três furos ao cliente. Bolsonaro diz que repórter da Folha quis dar o furo. Quem, afinal, vai conter o presidente?

O vídeo que reproduzo em seguida é chamado de Jornalista da Folha.

Nele, uma prostituta oferece três furos ao cliente e se sente profundamente ofendida quando é confundida com uma jornalista da Folha.

O vídeo é inqualificável como violento ataque ao exercício jornalístico e à liberdade de imprensa, mas precisa ser visto por aqueles em quem ainda resta algum bom senso.

Nesta quarta-feira (19), a Folha de S. Paulo completa 99 anos.

Nesta terça-feira (18) à noite, o jornal iniciou as comemorações do seu centenário com a exibição, num cinema paulistano, de Cidadão Kane, de Orson Welles.

Um debate ressaltou os méritos do filme e a sua atualidade.

Horas antes, a edição online da Folha mancheteava:

Bolsonaro insulta repórter da Folha com insinuação sexual

A matéria referia-se à entrevista que o presidente dera pouco antes na frente do Palácio da Alvorada.

Sua fala continha um ataque inaceitável à repórter Patrícia Campos Mello.

O dia foi de duras reações ao que Bolsonaro disse.

Alguém classificou (muito bem) como repugnante.

Mais tarde, num necessário e contundente editorial, a Folha de S. Paulo afirmou que o presidente “faz carga contra o edifício institucional da democracia brasileira”.

E mais: que “o chefe de Estado comporta-se como chefe de bando. Seus jagunços avançam contra a reputação de quem se anteponha à aventura autoritária”.

O comportamento do presidente Jair Bolsonaro, frequentemente incompatível com o cargo que ocupa, é muitas vezes banalizado, tratado como algo perfeitamente aceitável.

Não é.

O insulto à repórter da Folha é pior e muito mais grave do que tudo o que já ouvimos dos homens que governaram o Brasil.

Ninguém vai conter o presidente?

As instituições democráticas estão funcionando em sua plenitude ou será que elas já começam a perder a função que de fato têm?

Há uma aventura autoritária em curso?

Não minimizemos o que está acontecendo.

É um momento grave da vida nacional e da democracia brasileira.

“Chupa toda!”. Ivete Sangalo é uma das belezas do carnaval

O Trio Elétrico Dodô e Osmar é um argumento eficaz contra os que querem cortar o barato da música popular brasileira.

Li isso, por volta de 1975, num texto de Caetano Veloso.

Naquela época, celebrava-se o jubileu de prata do trio elétrico, essa invenção que mudou o carnaval brasileiro e que nasceu depois de uma exibição do frevo pernambucano na cidade de Salvador de 70 anos atrás.

A música popular brasileira é muito diversa, e nessa diversidade cabe o que a gente acha que é bom e o que a gente acha que é ruim.

Essa, aprendi com Egberto Gismonti, há quase 40 anos.

Tudo isso só pra dizer: estou aqui mexendo nos meus discos (ainda tenho muitos discos físicos!) de Ivete Sangalo.

Como são bons!

O mais recente (duplo) se chama Live Experience e foi gravado ao vivo em São Paulo.

É irresistível.

Ivete canta muito e tem um domínio extraordinário do palco.

Atualizando a frase de Caetano, os que reagem mal a ela podem estar entre os que querem cortar o barato da música popular brasileira.

Eu não quero!

Salve Ivete!

Chupa Toda/Ivete Sangalo e Gilberto Gil