A Vida Invisível é grande filme. Governo brasileiro é perverso

A Vida Invisível é um grande filme.

Venceu Bacurau no caminho por um indicação ao Oscar. Não sabemos ainda se vai dar certo.

Bacurau é mais forte, mais impactante, mais importante como evento político, melhor cinema. Mas talvez seja brasileiro demais para uma disputa como a do Oscar.

A Vida Invisível parece mais universal.

É um drama que trata com grande sensibilidade da história de duas irmãs. A vida as separa, e a trama segue as duas em busca de um reencontro impossível.

A história de Eurídice e Guida é uma dessas tragédias familiares. Não tem solução. Por isto, é profundamente melancólica.

O filme é ambientado no Rio de Janeiro dos anos 1950. Não esse Rio que o mundo conhece dos cartões postais, mas uma cidade com suas ruelas escuras, suas velhas edificações, suas casas de subúrbio. Sua vegetação úmida e seu calor por vezes insuportável. É nesse Rio que Karim Ainouz põe Eurídice e Guida, seus sonhos e suas tristezas.

No desfecho do filme, Fernanda Montenegro entra em cena por alguns minutos numa atuação absolutamente excepcional.

No dia em que vi A Vida Invisível, foi noticiado que a direção da Ancine havia proibido uma exibição do filme para funcionários da agência.

É difícil de crer.

A Vida Invisível é um grande filme.

O governo brasileiro tem se mostrado perverso com a cultura.