Música 11:21

Jornal O Norte fez título ridículo no assassinato de John Lennon

Neste domingo (08), faz 39 anos do assassinato de John Lennon.

Era uma segunda-feira, feriado de Nossa Senhora da Conceição, e eu fui ao Recife ver O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima.

Na manhã da terça-feira, logo cedo, passei na Disco 7 e voltei para João Pessoa.

Ao chegar em casa, recebi um telefonema de Carlos Aranha, companheiro de redação em A União:

“Soube da morte?” – perguntou.

“Não” – respondi.

“John Lennon” – ouvi dele.

“Como?” – indaguei.

“Assassinado em Nova York” – afirmou.

Corri para o jornal e me tranquei no Departamento de Pesquisa para redigir o necrológio.

No meio da tarde, Gonzaga Rodrigues, nosso diretor técnico, conversou um pouco comigo. Estava chocado, embora os Beatles não fizessem parte das suas audições.

O mundo estava chocado. A primeira visita, como presidente eleito, de Ronald Reagan a Nova York foi esvaziada por causa do assassinato.

Uma multidão se reunira na frente do Dakota, cenário do crime. O edifício de luxuosos apartamentos, 12 anos antes,  havia sido usado por Roman Polanski em O Bebê de Rosemary. Passava a ser duplamente sombrio.

À noite, a redação e a oficina de A União pararam para assistir ao Jornal Nacional.

Quem “desceu” o material escrito por mim foi Agnaldo Almeida, nosso editor.

O título – uma manchetona – também foi dele:

JOHN LENNON ESTÁ MORTO

O caderno B do Jornal do Brasil, que guardo até hoje, veio com:

ÍDOLO DA CANÇÃO MUNDIAL NÃO PÔDE DIZER AS ÚLTIMAS PALAVRAS

A Folha:

A MORTE DE UM BEATLE

O jornal O Norte saiu com um título no mínimo esquisito:

ESPANTO, RAIVA E PENA NO MUNDO. ASSASSINADO LENNON, DOS BEATLES 

Na redação de A União, rimos incrédulos com o que havia de ridículo no título.

Mas nunca descobrimos o autor da “pérola”.