Música 7:56

25 anos sem Jobim/Meninos e meninas, eu vi Tom ao vivo!

Era uma sexta-feira, 19 de julho de 1991.

Antônio Carlos Jobim faria o primeiro de dois shows no Teatro Guararapes.

O maior compositor popular do Brasil nunca havia se apresentado em nenhuma cidade do Nordeste.

O Recife era a primeira e seria a única.

Naquela época, não existia Internet, e compra de ingressos era uma coisa complicada. Sobretudo quando o show não era na cidade em que você morava.

No meu caso, havia um agravante: como não dirijo, precisava encontrar alguém que se dispusesse à aventura de pegar estrada para ver Tom ao vivo.

Tentei um, dois, três. Todos diziam não.

A “vítima” acabou sendo o jornalista Fernando Moura.

Para mim e para ele, era dia normal de trabalho nas redações.

Só nos desvencilhamos das nossas obrigações às sete da noite e, num carro velho que Fernando pediu emprestado a um colega, nos mandamos para o Recife.

Chegamos depois das nove, compramos os ingressos e entramos no teatro poucos minutos antes do início do show.

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Tom Jobim se apresentava no mundo inteiro com a Banda Nova, formada em meados dos anos 1980.

Era uma reunião de família e amigos.

Tom cantava acompanhado-se ao piano.

Paulo, seu filho, fazia o violão e cantava um pouco.

Jaques Morelenbaum tocava violoncelo. Tião Neto, contrabaixo. Paulo Braga, bateria. Danilo Caymmi, flauta e vocais.

E tinha as vozes femininas: Ana (mulher de Tom), Beth (filha de Tom), Paula (mulher de Jaques), Simone (mulher de Danilo) e Maúcha Adnet.

Sob o comando do Maestro Soberano, o nepotismo era uma coisa do bem!

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No meu livro Meio Bossa Nova, Meio Rock’, Roll, escrevi algo sobre o show:

Vejo o mestre da canção no palco do Teatro Guararapes e fico pensando em tudo o que ele fez.

Contemplo Jobim e penso no bem que ele fez ao Brasil com canções que atravessam o tempo como se acabassem de ter sido compostas.

Vejo Jobim de volta para o bis, depois de um show irrepreensível, e imagino o que ele poderá tocar. A plateia faz alguns pedidos, mas a escolha é dele: Eu Sei que Vou te Amar, Estrada do Sol, a suíte Gabriela e Garota de Ipanema. Um bis digno de um grande compositor.

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Não era só o bis.

O set list inteiro era uma reunião de clássicos do nosso cancioneiro popular. Músicas que projetaram o Brasil internacionalmente e que estão sempre a nos dizer:

“Vejam! Ouçam! Isto é parte significativa do melhor que o Brasil produziu!”.

Desde aquela noite inesquecível no Recife, 28 anos já se passaram.

Neste domingo (08), faz 25 anos que Tom Jobim morreu num hospital em Nova York.

Suas músicas permanecem blindadas à ação do tempo.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, Antônio Carlos Jobim, Tom Jobim ou, simplesmente, Tom, direcionou a sua arte ao que é belo, e o Brasil há de ser sempre grato a ele.