Retrospectiva: atualizando lista dos que morreram em 2019

JOÃO GILBERTO, músico, aos 88 anos.

MARCELO YUKA, músico, aos 53 anos.

CAIO JUNQUEIRA, ator, aos 42 anos.

MICHEL LEGRAND, músico, aos 86 anos.

CAFI, fotógrafo, aos 68 anos.

RICARDO BOECHAT, jornalista, aos 66 anos.

BIBI FERREIRA, atriz e cantora, aos 96 anos.

STANLEY DONEN, cineasta, aos 94 anos.

ANDRÉ PREVIN, maestro, aos 89 anos.

TAVITO, compositor, aos 71 anos.

ALBERT FINNEY, ator, aos 82 anos.

AGNÈS VARDA, cineasta, aos 90 anos.

DOMINGOS OLIVEIRA, cineasta, aos 82 anos.

BETH CARVALHO, cantora, aos 72 anos.

BIBI ANDERSON, atriz, aos 83 anos.

LÚCIO MAURO, ator, aos 92 anos.

ANTUNES FILHO, diretor de teatro, aos 89 anos.

DORIS DAY, atriz e cantora, aos 97 anos.

NIKI LAUDA, piloto de fórmula 1, aos 70 anos.

SERGUEI, cantor, aos 85 anos.

CLÓVIS ROSSI, jornalista, aos 76 anos.

ANDRÉ MIDANI, produtor musical, aos 86 anos.

FRANCO ZEFFIRELLI, cineasta, aos 96 anos.

RUBENS EWALD FILHO, crítico de cinema, aos 74 anos.

DR. JOHN, músico, aos 77 anos.

RUTH DE SOUZA, atriz, aos 98 anos.

RUTGER HAUER, ator, aos 75 anos.

PAULO HENRIQUE AMORIM, jornalista, aos 76 anos.

PETER FONDA, ator, aos 79 anos.

FERNANDA YOUNG, atriz e escritora, aos 49 anos.

ELTON MEDEIROS, compositor, aos 89 anos.

JESSYE NORMAN, cantora, aos 74 anos.

JORGE FERNANDO, ator, aos 64 anos.

WALTER FRANCO, compositor, aos 74 anos.

GINGER BAKER, músico, aos 80 anos.

GUGU LIBERATO, apresentador, aos 60 anos.

FÁBIO BARRETO, cineasta, aos 62 anos.

HENRY SOBEL, rabino, aos 75 anos.

ANNA KARINA, atriz, aos 79 anos.

FRANCISCO BRENNAND, artista plástico, aos 92 anos.

BIRA, músico, aos 85 anos.

SUE LYON, atriz, aos 73 anos.

ANTÔNIO GUERREIRO, fotógrafo, aos 72 anos.

“Imagine uma bota pisoteando um rosto humano – para sempre”

“ESTÁ COMEÇANDO A VER QUE TIPO DE MUNDO ESTAMOS CRIANDO? NÃO HAVERÁ ARTE, NEM LITERATURA, NEM CIÊNCIA. QUANDO FORMOS ONIPOTENTES, JÁ NÃO PRECISAREMOS DA CIÊNCIA. NÃO HAVERÁ DISTINÇÃO ENTRE BELEZA E FEIURA. NÃO HAVERÁ CURIOSIDADE, NEM DELEITE COM O PROCESSO DA VIDA. TODOS OS PRAZERES SERÃO ELIMINADOS. MAS SEMPRE – NÃO SE ESQUEÇA DISTO, WINSTON -, SEMPRE HAVERÁ A EMBRIAGUEZ DO PODER. SEMPRE, A CADA MOMENTO, HAVERÁ A EXCITAÇÃO DA VITÓRIA, A SENSAÇÃO DE PISOTEAR O INIMIGO INDEFESO. SE VOCÊ QUER FORMAR UMA IMAGEM DO FUTURO, IMAGINE UMA BOTA PISOTEANDO UM ROSTO HUMANO – PARA SEMPRE.”
Não precisa ir longe na leitura. Esse pequeno texto aqui transcrito está na contracapa da nova edição brasileira de 1984, de George Orwell (Companhia Das Letras/R$ 120,00).
Eu era muito jovem quando li 1984. Li junto com Admirável Mundo Novo, de Aldoux Huxley. O ano de 1984 ainda não havia chegado.
Pensávamos em outros anos do futuro, um pouco mais distantes. 2000, 2001. 2020 – que o cinema mostrara num filme chamado No Mundo de 2020.
O futuro da humanidade será sombrio? Convivi com homens cultos que asseguravam que não.
Passamos logo por 1984, por 2000, 2001, estamos chegando a 2020.
Quando a ficção errou? Quando a ficção acertou?
No que alcançamos a ficção? No que a ultrapassamos? Onde ficamos para trás?
A nova edição de 1984 remete a essas questões e a muitas outras. Sobretudo, à incrível atualidade do livro que Orwell escreveu em 1948.
O bom é que esse volume que chegou às livrarias neste final de ano traz vasta fortuna crítica a enriquecer a leitura (ou releitura) deste que é um dos grandes livros do século XX. Além de ser um belo objeto.
“Os livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor táctil” – diz Caetano Veloso em uma das suas canções.
O 1984 da Companhia Das Letras merece esses dois amores.

Lolita morreu. Sue Lyon, atriz do filme de Kubrick, tinha 73 anos

“Fulana é uma Lolita”.

Se usarmos essa frase num comentário sobre alguma ninfeta, será menos por causa do romance de Vladimir Nabokov do que pelo modo como a jovem atriz Sue Lyon encarnou a personagem no filme de Stanley Kubrick.

Sue Lyon, de 73 anos, morreu nesta quinta-feira (26) de causa ainda não revelada.

A morte foi anunciada neste sábado (28) por um amigo da família.

O filme de Stanley Kubrick é de 1962.

É um grande filme com atuações excepcionais de James Mason, Peter Sellers e Shelley Winters.

Na época das filmagens de Lolita, Sue tinha apenas 15 anos.

Para conquistar o papel, derrotou centenas de candidatas.

Sue Lyon não conseguiu fazer uma grande carreira como atriz.

Será lembrada apenas por Lolita.

Governo de Ricardo Coutinho foi ruim para a cultura. É verdade?

Estranhei o silêncio dos artistas paraibanos em relação ao atual momento do ex-governador Ricardo Coutinho (prisão, graves acusações, etc.).

Nesta quinta-feira (26), escrevi sobre esse tema aqui na coluna.

Em síntese, perguntei quando os artistas iam defender Ricardo, considerando o vínculo profundo construído ao longo de muitos anos entre o político e os que fazem cultura na Paraíba.

Muita gente comentou. Em público e no privado.

Confesso que fiquei surpreso com o que li.

Não com a agressividade de alguns comentários, porque isso é comum nas redes sociais.

Mas com o que foi dito sobre o tratamento que Ricardo deu à cultura em seus dois mandatos como governador.

O resumo é o que está no título do post: o governo de Ricardo Coutinho foi ruim para a cultura.

Ou: ele é que tem uma dívida enorme com os que fazem cultura na Paraíba.

Ou ainda: agora, ele que se explique.

Solidariedade a Ricardo? Zero!

Reconhecimento do que foi realizado? Zero!

Foi o que li.

Há muitas lições humanas e políticas no que li.

Quando os artistas vão gritar em defesa de Ricardo Coutinho?

Se tomarmos como referência a volta, em 1982, das eleições diretas para governador, de lá para cá a Paraíba teve dois governadores com grande identificação com a produção cultural: Tarcísio Burity e Ricardo Coutinho.

O primeiro, voltado preferencialmente para o erudito.

O segundo, para o popular.

Ricardo Coutinho está com 59 anos.

A sua trajetória política vem de longe: desde o movimento estudantil e das lutas sindicais.

Eleito vereador por João Pessoa, sua atuação na Câmara foi fortemente marcada pelo vínculo que estabeleceu com os que produzem cultura.

Ricardo conquistou um número expressivo de artistas e foi conquistado por eles.

Essas pessoas jamais lhe dariam os votos necessários a voos futuros (a prefeitura da capital, o governo do estado), mas conferiam notável credibilidade ao então jovem político.

Vereador, deputado estadual, Ricardo Coutinho chegou à prefeitura em 2004 (reeleito em 2008) e ao governo estadual em 2010 (reeleito em 2014), percorrendo um caminho absolutamente exitoso e singular para um homem que não pertencia a nenhum grupo oligárquico.

Nos cargos executivos, estreitou ainda mais os laços com os artistas. Laços políticos, mas também afetivos, de admiração e respeito mútuos.

Recuperou e construiu equipamentos, deu cargos, pagou cachês, abriu espaços.

Quem ousará negar?

Pois bem. Neste final de 2019, Ricardo Coutinho vive o seu pior momento desde que se inseriu na cena política paraibana.

Foi preso e é tratado como chefe de uma organização criminosa.

É verdade?

É mentira?

Não cabem a mim as respostas.

Mas talvez caiba dizer algo que tem chamado minha atenção.

Cadê os artistas que apoiaram Ricardo e dele receberam tanto apoio?

É fato que houve algumas manifestações, mas insuficientes, desproporcionais aos laços construídos por tantos e tantos anos.

Em qual narrativa os artistas paraibanos que um dia já foram identificados como ricardistas acreditam?

Que Ricardo Coutinho comanda realmente uma organização criminosa?

Ou que, no Brasil de hoje, operações como a Calvário existem apenas para calar as lideranças progressistas?

Sim! Que narrativa os artistas preferem?

A verdade é que o silêncio deles é incômodo.

Muito incômodo.

O silêncio deles faz a gente pensar na escassez de valores que são mais humanos (e os artistas são cheios de humanidade) do que políticos.

A lealdade, por exemplo.

Então?

Quando os artistas paraibanos vão gritar em defesa de Ricardo Coutinho?

Quando os artistas paraibanos – os mesmos que aderiram ao Lula livre – vão às ruas por Ricardo Coutinho?

Não vou citar nomes, mas pergunto:

Até quando alguns (ou muitos) deles serão reféns desse silêncio covarde?

Simone faz 70 anos. O melhor está nos discos da EMI-Odeon

A baiana Simone nasceu no dia de Natal.

Ela faz 70 anos neste 25 de dezembro de 2019.

Seu disco mais popular se chama 25 de Dezembro e reúne repertório natalino.

Vendeu centenas de milhares de unidades e foi (ainda é) duramente criticado, sobretudo por causa da versão de Happy Xmas, de John Lennon e Yoko Ono.

Talvez tenha sido executado em excesso, mas, se ouvirmos sem preconceitos, é um bom disco de Natal.

Simone entrou em cena na primeira metade da década de 1970.

Contratada pela EMI-Odeon, lá gravou oito discos e participou de mais três projetos nos quais dividia as faixas com outros artistas.

Simone (1973) e Quatro Paredes (1974) não chamaram a atenção dos ouvintes da MPB.

O reconhecimento de Simone como uma voz marcante do seu tempo começou com Gotas d’ Água (1975), que iniciou uma sequência de poucos, mas grandes álbuns.

A conferir: Face a Face (1977 ), Cigarra (1978 ), Pedaços (1979 ) e Simone (1980 ).

Também em 1980, há o disco ao vivo. Àquela altura, por onde passava, a cantora reunia multidões ávidas por vê-la e ouvi-la ao vivo.

Em seus melhores álbuns, inseriu seu nome entre as grandes cantoras brasileiras e foi intérprete do que havia de mais significativo na MPB da década de 1970.

No início dos anos 1980, contratada pela gigante CBS, Simone trocou o prestígio que tinha por discos que jamais estiveram à altura do seu talento.

Nunca mais foi a mesma.

As músicas natalinas são tão tristes quanto o próprio Natal

Na infância, os temas natalinos parecem alegres. “Bate o sino pequenino, sino de Belém…”. Como o próprio Natal. A gente nem presta muita atenção nas letras. A de Boas Festas, de Assis Valente, foi composta por um homem solitário que depois se matou. E fala da infelicidade do autor: “Já faz tempo que eu pedi/mas o meu Papai Noel não vem/com certeza já morreu/ou então felicidade é brinquedo que não tem”. A despeito do seu conteúdo, incorporou-se ao repertório natalino dos brasileiros e é ouvida nos corredores dos shoppings, ano após ano, cantada ou executada por harpas paraguaias. Valente, que compôs também o samba Brasil Pandeiro, não imaginava que sua música seria um grande hit.

Quando se fala em música de Natal, a primeira melodia que nos ocorre é a de Noite Feliz, ou Silent Night, de Franz Gruber. É praticamente impossível gravar um disco natalino e deixá-la de fora. Foi invocada até pela rebeldia da década de 1960 numa versão curiosa, e algo irônica, de Simon & Garfunkel. O canto da dupla, que conquistou o mundo com The Sound of Silence, se mistura a vozes que leem notícias da guerra do Vietnã. Noite Feliz é tão popular quanto Jingle Bells, O’Tannebaum ou Adeste Fidelis. Não é preciso saber o título, nem o autor. Elas estão na memória de milhões de pessoas. E quem as conhece, imediatamente as identifica como música de Natal.

Gravar discos natalinos é tradição nos Estados Unidos. Bing Crosby, Frank Sinatra, Nat King Cole, Ray Charles, Elvis Presley, Stevie Wonder, Bob Dylan, todos gravaram. Se ouvirmos sem preconceito, veremos que alguns são muito bons. Stevie Wonder cantando Ave Maria é sublime. No Brasil, há o disco de Simone (25 de Dezembro), lançado no final do século passado. Não é ruim quanto querem seus críticos. Talvez tenha sido executado à exaustão. Nos Estados Unidos do século XX, surgiu uma maravilhosa melodia natalina, hoje totalmente incorporada à lista de clássicos do gênero: White Christmas, ou Natal Branco, de Irving Berlin. O autor, que viveu mais de cem anos e era um verdadeiro símbolo da América, escreveu algumas das melhores canções populares de todos os tempos.

A era do rock também nos legou uma música natalina. Happy Xmas foi composta por John Lennon para o Natal de 1971. Hino pacifista, John o escreveu como parte de uma campanha que promoveu ao lado de Yoko Ono contra a guerra do Vietnã. Seu subtítulo é War Is Over, a frase que o casal Lennon espalhou em outdoors pelas grandes cidades do mundo. Na gravação original, crianças do Harlem fazem o coro. Num DVD de 2003, a música vem acompanhada por imagens de crianças atingidas pelas guerras. Impossível não se comover. O que muita gente não sabe é que Lennon foi buscar a melodia de Happy Xmas na velha canção Stewball.

O Brasil tem um caso interessantíssimo de associação entre a música popular e o Natal. É o de Roberto Carlos. A partir da segunda metade dos anos 1960, e por três décadas, o artista lançou discos que se incorporaram aos nossos natais. Alguns tinham músicas de inspiração religiosa, mas só uma era natalina: Meu Menino Jesus, de 1998, que não fez sucesso.

Quando a gente não é mais jovem, as músicas natalinas parecem tristes. Remetem às perdas que acumulamos. Como o próprio Natal.

A negação de Pedro, a Paraíba e uma reflexão para o nosso Natal

EU NÃO O CONHEÇO!

Os acontecimentos recentes da cena política paraibana deixam muitas reflexões. Riquíssimas reflexões sobre a política e sobre a vida. Não pretendo enumerá-as nem fazê-las aqui. Cada um faça as suas. As minhas, faço eu mesmo.

Como é tempo de Natal, lembrei de um espetáculo de teatro e um filme que marcaram profundamente a minha adolescência. É Jesus Cristo Superstar, uma ópera rock muito polêmica em seu tempo.

Na manhã desta segunda-feira (23), vi/ouvi uma manifestação pública que me remeteu a um dos momentos do musical. Aquele em que, logo após a prisão de Jesus, vemos/ouvimos Pedro negá-lo (ou traí-lo) por três vezes. A cena termina com o apóstolo sendo admoestado por Maria Madalena.

No Brasil, Jesus Cristo Superstar foi vertido para o Português por Vinícius de Moraes.

Não ouso traduzir os versos. Posto em Inglês mesmo.

Maid by the fire
I think I’ve seen you somewhere
I remember
You were with that man
They took away
I recognize your face

Peter
You’ve got the wrong man, lady
I don’t know him
And I wasn’t where
He was tonight
Never near the place

Soldier
That’s strange
For I am sure I saw you with him
You were right by his side
And yet you deny it?

Peter
I tell you
I was never ever with him

Old Man
But I saw you too
It looked just like you

Peter
I don’t know him!!!

Mary Magdalene
Peter don’t you know what you have said
You’ve gone and cut him dead

Peter
I had to do it
Don’t you see?
Or else they’d go for me

Mary Magdalene
It’s what he told us you would do
I wonder how he knew?

Retrospectiva: Clube da Esquina e outros shows do ano de 2019

CLUBE DA ESQUINA – Dos shows apresentados em João Pessoa, o de Milton Nascimento foi o melhor de 2019. Bituca revisita grandes canções dos anos 1970 num espetáculo que é pura emoção.

OK OK OK – O excelente CD que Gilberto Gil lançou no ano passado foi transformado num belo show. As novas canções se misturam com pérolas do repertório do artista. No palco, Gil, sua banda e seus filhos músicos.

A MULHER DO PAU BRASIL – Depois de passar um tempo em Portugal, Adriana Calcanhotto voltou com esse show em que exibe todo o seu talento. Encerrada a turnê, lançou Margem, um dos melhores discos do ano.

QUARTETO JOBIM E ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL – Na abertura do Festival Internacional de Música Clássica de João Pessoa, uma homenagem aos 60 anos da Bossa Nova. O Quarteto Jobim e a Sinfônica Municipal proporcionaram um inesquecível reencontro com a música do Maestro Soberano.

BLOCO NA RUA – Ney Matogrosso, aos 78 anos, continua atento aos sinais. Agora, trocando músicas novas por verdadeiros standards do nosso cancioneiro. O show dialoga fortemente com o Brasil de hoje.

A PELE DO FUTURO – O CD A Pele do Futuro traz canções inéditas com roupagem retrô. O show mistura as novas canções com velhos sucessos de Gal Costa, sobretudo dos anos 1970. O resultado é sublime.

VESÚVIO – Djavan continua afiado. Fez um ótimo CD no final do ano passado e seguiu em turnê. O set list traz as músicas compostas para o disco e também as canções que os fãs esperam ouvir.

ROBERTO CARLOS TOUR 2019 – Pela primeira vez, Roberto Carlos se apresentou num teatro em João Pessoa. Que voz! Que banda! Que noite! – foi realmente especial para quem admira o Rei.

Retrospetiva: O Irlandês e outros filmes do ano de 2019

O Irlandês foi o melhor filme de 2019. Aula de cinema ministrada por um mestre, Martin Scorsese. Sob sua batuta, três grandes atores – Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci – em atuações excepcionais.

Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, foi o maior acontecimento do cinema brasileiro em 2019. Acontecimento político e estético. Deveria ter tentado o Oscar no lugar de A Vida Invisível.

Era Uma Vez em Hollywood. O novo filme de Quentin Tarantino mexeu com uma história – o assassinato de Sharon Tate – que chocou o mundo há meio século. Tarantino sempre acerta.

Parasita. Pobres e ricos. Ou melhor: pobres versus ricos. Filme inquietante e perturbador, vindo da Coreia do Sul. Direção de Bong Joon-Ho.

A Mula. Beirando os 90 anos, Clint Eastwood dirige e atua. Soberbo road movie conduzido por um mestre no inverno do seu tempo.

Rolling Thunder Revue. Uma história de Bob Dylan contada por Martin Scorsese. Parece um documentário, mas não é. Reúne verdades e mentiras sobre uma turnê realizada em meados dos anos 1970.

Democracia em Vertigem. Grande documentário. A jovem cineasta Petra Costa narra na primeira pessoa acontecimentos recentes da cena política nacional. Ser parcial não retira os méritos do filme.

A Vida Invisível. Belo e melancólico drama dirigido por Karim Ainouz. Nos minutos finais, Fernanda Montenegro entra em cena numa atuação absolutamente extraordinária.

Coringa. Lembra os filmes dos anos 1970. Tem muito do Scorsese de Taxi Driver e O Rei da Comédia. O desempenho de Joaquin Phoenix é o que há de melhor. Direção de Todd Phillips.