Um Dia de Chuva em Nova York é bom, mas nem tanto

Um Dia de Chuva em Nova York, o novo filme de Woody Allen, está em cartaz em João Pessoa.

E bom ver seus filmes, mesmo que não sejam os melhores dos muitos que realizou. É bom porque tem a singularidade da sua assinatura. Tem uma marca, um estilo que logo você identifica como sendo o de Woody Allen.

Ver Annie Hall, nos idos de 1978, ou Manhattan, lá por volta de 1980, era melhor. Muitíssimo melhor! Havia uma novidade, um frescor de quem estava definindo um modo de fazer cinema que o destacaria entre os cineastas da sua geração.

Ali, entre as décadas de 1970 e 1980, Woody Allen fez seus filmes mais importantes (Annie Hall, Manhattan, A Rosa Púrpura do Cairo, Zelig, Hannah e Suas Irmãs). Os mais originais, criativos, inteligentes.

Depois, com frequência, mostrou-se refém de uma fórmula que, com o passar do tempo, perdeu muito do seu charme, deu claros sinais de esgotamento.

Nos últimos anos, Allen trocou sua Nova York pela Europa. Match Point e Meia-Noite em Paris talvez sejam os pontos altos da sua filmografia europeia. Um drama e uma comédia.

Em Um Dia de Chuva em Nova York, o título já assegura, Woody Allen está em casa. Gatsby, o narrador, pode até ser o jovem Allen, mais jovem ainda do que o diretor/ator que vimos em tantos filmes.

Os personagens, as situações, os diálogos, os dilemas – tudo lembra muito outros filmes do realizador. Só que tudo encanta menos. Como se Woody Allen se autoplagiasse.

Mas ainda é bom ir ao cinema ver Woody Allen. Os letreiros brancos sobre o fundo preto e todo aquele jazz nos asseguram, de cara, que estamos diante de um novo episódio de uma longa trajetória. E essas longas trajetórias merecem respeito, devem ser celebradas.