Obra de Villa-Lobos é perene declaração de amor ao Brasil

Neste domingo (17), faz 60 anos da morte de Heitor Villa-Lobos.

Ele tinha 72 anos e morreu no Rio de Janeiro, a cidade onde nascera em cinco de março de 1887.

Reconhecido em todo o mundo como um dos grandes autores da música erudita do século XX, ele é o maior e o mais importante compositor do Brasil.

Não são poucos os brasileiros que têm algo da música de Villa-Lobos arquivado em sua memória afetiva.

Pode ser o trecho mais popular da Bachiana No 5, O Trenzinho do Caipira, a aria da Bachiana No 4 ou, ainda, a Melodia Sentimental interpretada por um dos nossos artistas populares.

Mas, enquanto nação, a nossa dívida com ele é muito grande.

Como se não estivéssemos à altura do seu extraordinário legado.

Como se não fizéssemos o necessário para merecê-lo.

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“A arte de Villa-Lobos significa a declaração de independência musical do Brasil” – resume Otto Maria Carpeaux no admirável livro Uma Nova História da Música, publicado um ano antes da morte do compositor.

Comecemos pelas Bachianas Brasileiras.

É sua obra maior. São nove peças que promovem o encontro do Brasil profundo com a herança de Bach.

O Trenzinho do Caipira é um dos movimentos da Bachiana No 2.

Na Bachiana No 4, escrita para piano e depois expandida para orquestra, a cantiga aprofunda o tema folclórico “ó mana deixa eu ir”.

A primeira parte da Bachiana No 5 é uma das melodias mais amadas do Brasil. Até mesmo por quem não sabe de onde ela vem.

Em Deus e o Diabo na Terra do Sol, Glauber Rocha só filmou a cena do beijo de Othon Bastos e Ioná Magalhães para inserir o tema que ouvimos com Bidu Sayão ou Maria Lúcia Godoy, Elizeth Cardoso ou Joan Baez.

Para além das Bachianas, há muito o que ouvir em Villa-Lobos.

Tenho especial afeição pela Floresta do Amazonas. É nela que está o canto Melodia Sentimental, que há muito migrou do terreno erudito para o popular.

São admiráveis A Prole do Bebê e o Rudepoema, escritos para piano.

Há quem destaque a série de 14 Choros.

Ou os Prelúdios, compostos para violão.

Ou o Concerto Para Violão e Orquestra.

Ou, ainda O Descobrimento do Brasil.

Obra vasta, riquíssima, complexa, a desse imenso brasileiro.

Sua música é um documento sonoro a traduzir e elevar o Brasil.

É uma permanente declaração de amor ao lugar onde nascemos.

Mais do que nunca, precisamos ouvir Heitor Villa-Lobos.