Conversa de Gil com Haddad mostra que nem todos calçam 40

Amigos, Sons e Palavras é uma série exibida pelo Canal Brasil.

Está na segunda temporada.

É um programa de entrevistas comandado por Gilberto Gil.

O músico atua como entrevistador, mas não o entrevistador que nós, jornalistas, costumamos ser.

Ele não é mero perguntador. O que se vê sempre é uma conversa de Gil com os seus convidados.

O mais recente foi Fernando Haddad.

Os programas começam sempre com uma canção. Gil, sua voz, seu violão.

Para receber Haddad, pensei que seria O Fim da História, que o político disse ser sua música preferida.

Mas não. Foi Guerra Santa. É da segunda metade dos anos 1990, mas permanece muito atual.

“O nome de Deus pode ser Oxalá, Jeová, Tupã, Jesus, Maomé/Sons diferentes, sim, para sonhos iguais” – diz a letra.

A presença de Deus é o tema que abre o programa. Religião – da origem familiar do entrevistado – que vai desembocar em filosofia, direito e economia, as áreas de formação de Haddad.

A política vem depois. Da militância juvenil à disputa pela presidência.

A conversa de Gilberto Gil com Fernando Haddad aborda muitas questões. Uma das principais: a necessidade da política num instante em que tantos negam a política. A política como uma das atividades essenciais do homem.

Nem todos calçam 40. Nem todos são iguais. O parlamento que temos, os políticos que temos, é tudo representação do que somos.

Haddad é muito diferente de Bolsonaro. Diferente e muito melhor. Pode ser uma das conclusões desse episódio de Amigos, Sons e Palavras.

Outra conclusão está numa das falas de Gil. O grupo que hoje governa o Brasil não deve pegar ninguém de surpresa. O que se tem na prática foi posto na campanha. O Bolsonaro que governa é o Bolsonaro que vimos atuando por tantos anos na Câmara.

Mas a seta do tempo aponta sempre pra frente. Acho que Gil disse algo parecido numa entrevista recente. Ele e Haddad creem nisso. Pode ser outra conclusão do programa.

Fecho evocando Tom: que o Brasil continue a ser promessa de vida em nossos corações.