Quem ainda lembra de Anselmo Duarte e sua Palma de Ouro?

Nesta quinta-feira (07), faz 10 anos que Anselmo Duarte morreu.

Ele foi de galã a grande diretor.

Na juventude, na Atlântida ou na Vera Cruz, era um dos rostos mais bonitos do cinema brasileiro.

Como diretor, a estreia veio com Absolutamente Certo.

O triunfo, com O Pagador de Promessas.

O filme, baseado no texto teatral de Dias Gomes, levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962.

François Truffaut foi um dos articuladores da vitória.

O Pagador de Promessas não é somente um grande filme. É um dos grandes momentos do cinema brasileiro em todos os tempos.

Creio que, a Anselmo, bastaria tê-lo realizado. Garantiria seu nome em lugar de destaque na nossa cinematografia.

Anselmo Duarte e o Cinema Novo eram incompatíveis. Foram separados por temas ideológicos, também por questões estéticas. Todos perderam.

Na infância, vi o ator em Juventude e Ternura. Fazia o empresário da jovem cantora interpretada por Wanderlea. Empresário e contrabandista.

Talvez a decadência do personagem falasse sobre os fracassos do próprio Anselmo, as dificuldades que enfrentava para construir uma carreira estável, uma trajetória à altura de quem assinou O Pagador de Promessas.

Sua vida de homem de cinema, no fundo, conta uma história melancólica.