“Às favas, senhor presidente, todos os escrúpulos de consciência”

“Sei que a Vossa Excelência repugna, como a mim e a todos os membros desse Conselho, enveredar pelo caminho da ditadura pura e simples, mas me parece que claramente é esta que está diante de nós. […] Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”.

Foi o que disse Jarbas Passarinho, à época ministro do Trabalho, ao presidente Costa e Silva na reunião durante a qual o governo decidiu pela edição do AI-5.

Destaco o trecho:

“Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”.

Era 13 de dezembro de 1968.

O endurecimento do regime militar ficou conhecido como o golpe dentro do golpe.

É história do Brasil.

Uma história ainda muito recente.

Ela está bem contada pelo jornalista Elio Gaspari nos cinco volumes em que se debruça sobre a ditadura iniciada em 1964.

Seria uma leitura útil para muita gente, não estivessem todos reféns dos seus smartphones.

Nesta quinta-feira (31), o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, defendeu a volta de instrumentos como o AI-5.

A democracia brasileira vem sendo testada, quando não pelo próprio presidente, por seus filhos.

Um livro recente ajuda a compreender o que está acontecendo no Brasil e no mundo.

É O povo contra a democracia.

No prefácio escrito especialmente para a edição brasileira, o autor – o alemão Yascha Mounk – diz que a batalha pela sobrevivência da democracia brasileira ainda não foi perdida.

E sugere:

“Se você se importa com a proteção de sua liberdade, é seu dever solene exercer seus direitos antes que o novo presidente os tire de vez”.

O povo contra a democracia, fica a dica de leitura.