Bacurau é mais cinema do que Coringa!

Nesta quinta-feira (24), tem sessão dupla de Bacurau no Cine Banguê, do Espaço Cultural.

Uma às quatro da tarde, outra às sete da noite.

O bom é que, depois da sessão noturna, haverá um debate com o elenco paraibano do filme.

O mediador será o crítico de cinema João Batista de Brito.

No Cinepólis Manaíra, o filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles foi exibido até ontem, depois de passar oito semanas em cartaz.

Se o debate é político, não não tenho dúvidas, Bacurau tem muito mais a nos dizer do que Coringa.

Vou além: Bacurau é mais cinema do que Coringa.

Bacurau é uma experiência impactante.

Se há algo que me impressiona imensamente em Kleber é o domínio absoluto que ele tem do seu ofício. O cineasta está no grupo dos que migraram com êxito da crítica para a direção. Antes de qualquer coisa, aos cinéfilos, Kleber proporciona um grande prazer estético.

Bacurau é filme realizado por quem pensa o cinema. A habilíssima manipulação dos gêneros, a construção de climas, a tensão permanente, o uso de trilhas preexistentes, o diálogo com o passado (do cinema) e a rara capacidade de atualizá-lo – tudo junto e misturado para levar o espectador à catarse final.

Pensei em filmes do Cinema Novo que permanecem assustadoramente atuais. As vozes de Gal, Sérgio Ricardo e Vandré – mas não só elas – falam sobre o cinema do Brasil dos anos 1960 (Brasil Ano 2000, Deus e o Diabo, Augusto Matraga) e conectam passado, presente e futuro.

O filme de Kleber e Juliano se passa num futuro próximo e conversa com a gente sobre o presente. Essa conversa é direta. Esse lugarejo chamado Bacurau sintetiza no micro o que vemos no macro.

Bacurau é um significativo acontecimento político.

Mas é também um acontecimento estético.

É o que permitirá que atravesse o tempo como grande cinema.