Coringa traz homenagens explícitas a Martin Scorsese

Martin Scorsese é várias vezes homenageado em Coringa, esse filme de Todd Phillips que tem provocado tanto debate desde que entrou em cartaz, depois de conquistar o Leão de Ouro no Festival de Veneza.

A construção do personagem remete ao Robert De Niro de Taxi Driver. Joaquin Phoenix dançando diante do espelho é puro Taxi Driver, grandiosíssimo filme de Scorsese. E é uma grande sequência de Coringa.

Robert De Niro, talvez o ator predileto de Scorsese, está no elenco. Ele faz o papel de Murray Franklin. Murray e seu talk show que Arthur Fleck, o futuro Coringa, vê em casa, sonhando com o dia em que será convidado para uma entrevista.

A relação de Arthur Fleck com Murray Franklin remete a O Rei da Comédia, um dos filmes notáveis de Martin Scorsese. Em O Rei da Comédia, o jovem De Niro é o Phoenix de hoje. O cara que comanda o talk show é ninguém menos do que Jerry Lewis, àquela altura, já uma lenda do cinema.

Alguém disse que Coringa é um filme de época. E é. Vemos na logo da Warner e nos letreiros de apresentação. Ele remete aos filmes americanos da década de 1970, constatamos o tempo todo. Nesse particular, o uso das cores é um dos trunfos de Coringa.

O melhor do filme de Todd Phillips – como todos têm observado – é Joaquin Phoenix. Ele conduz a narrativa em extraordinária atuação, digna de Oscar. Como se o Coringa de Phoenix conseguisse ser melhor do que o Coringa de Phillips.

That’s Life, essa memorável canção de Frank Sinatra, marca fortemente o filme e fala do personagem. Parece feita para ele.

Há ainda a discussão política que Coringa provoca. Pertinente, mas, talvez, com os excessos e equívocos próprios do tempo em que vivemos.

Ao mexer no universo das histórias em quadrinhos, conferindo uma outra perspectiva a um dos seus maiores vilões, Coringa, de fato, é um filme original.