Ver Fernanda Montenegro na GloboNews alegra e entristece

Volto a Fernanda Montenegro, que fez 90 anos nesta quarta-feira (16).

Volto depois de vê-la entrevistada por Cristina Aragão, na GloboNews.

Um palco de teatro.

Uma plateia vazia.

Uns 25 minutos de conversa.

A fala de Fernanda comove.

Revigora.

Alegra.

Entristece também.

Deixa orgulhosos os que ainda creem no nosso destino enquanto Nação.

Fernanda é de uma geração de grandes artistas do teatro, do cinema, da televisão.

Gente extraordinária na integral dedicação ao ofício.

Gente extraordinária na formação humanística.

Gente extraordinária no amor pelos caminhos do Brasil.

Vê-la atuando – ou vê-la falando – remete a uma esperança quase sempre ameaçada.

Esperança de que pode ser do jeito dela.

Do jeito de um Brasil de construtores.

Não de desconstrutores.

Nesse especial da GloboNews, Fernanda observa que 20 anos se passaram desde Central do Brasil e que o Brasil continua o mesmo.

Noutro momento, vemos Fernanda e Guarnieri no desfecho de Eles Não Usam Black Tie, sequência a que me referi no texto de ontem.

As expressões.

As mãos.

Os olhares.

Os silêncios.

Sim! Os silêncios!

Fernanda Montenegro é um pedaço do Brasil com que sonhamos.

O Brasil da inteligência.

Da sensibilidade.

Da delicadeza.

O Brasil dos homens humanos.

O oposto do Brasil da barbárie, que cresce a todo dia junto de nós.

É por isto que, vê-la, a um só tempo alegra e entristece.