Fãs brasileiros dos Rolling Stones brigam por causa de Bolsonaro

No Festival de Veneza, Mick Jagger fez críticas à política ambiental do governo Trump. Falou dos que votam em candidatos de direita e do que isso pode representar para o futuro da humanidade.

Nas notícias que li, Jagger não mencionava o presidente Jair Bolsonaro, mas, aqui no Brasil, muita gente disse que sim.

Ao lado de Jagger, o ator Donald Shuterland – este sim – citou o nome do presidente brasileiro.

A fala de Jagger acabou sendo tema em um grupo de fãs dos Rolling Stones que, por sugestão de um amigo, acompanho há alguns anos.

Integrantes do grupo brigaram por causa de Bolsonaro. Ou pelo fato de que Mick Jagger, a quem idolatram, teria feito críticas a Bolsonaro.

O que chamou minha atenção nem foi a briga entre os fãs da banda, mas a constatação de que uma pessoa consegue, a um só tempo, admirar os Rolling Stones e Jair Bolsonaro.

Já tinha ficado surpreso com beatlemaníacos que aderiram ao bolsonarismo. Não dá para conciliar os dois. Se você conhece, de fato, os Beatles, não pode sair por aí defendendo um político como Bolsonaro.

Com os Rolling Stones, então, é muito pior.

Porque há muito mais transgressão na trajetória deles do que na dos Beatles. Toda sorte de transgressão.

Vejam os caras no palco, reparem as letras das canções, acompanhem o périplo deles pelo mundo das celebridades.

Imagine um bolsominion fazendo arminha com Jagger rebolando na sua frente! Não há qualquer compatibilidade.

Os Rolling Stones – essa banda que está na estrada há 56 anos – são o que o rock é.

Claro que eles se transformaram num grande produto, mas, dentro desse grande produto, ainda pulsa muito da essência do gênero a que aderiram quando eram jovens e rebeldes.

Olavo de Carvalho disse que os Beatles eram satanistas e que as canções deles foram escritas por Adorno.

O que o filósofo do bolsonarismo diria de Mick Jagger e sua turma?