Esgotados os ingressos para show de Roberto Carlos no Pedra do Reino

Esgotados os ingressos para o show que Roberto Carlos fará no Teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa.

A apresentação será no dia 10 de dezembro.

A venda foi iniciada uma semana atrás com preços que variavam entre R$ 250 e R$ 800.

Roberto Carlos está em turnê mundial com o show Amor Sin Límite, título do CD que lançou no ano passado com canções em Espanhol.

Esta será a primeira vez em que Roberto Carlos cantará num teatro em João Pessoa.

Os fãs do Rei agora se perguntam: será que haverá um show extra?

Eduardo Bolsonaro, Chapman atirou em Lennon pelas costas!

Comprei esse livro em novembro de 1983. Está anotado dentro do exemplar.

A Balada de John & Yoko.

O assassinato de John Lennon ainda era um fato muito recente. Pouco menos de três anos.

O livro, lançado no Brasil pela Abril, foi organizado pelos editores da revista Rolling Stone.

Reúne textos publicados pela revista quando Lennon era vivo, mas também artigos escritos depois da sua morte. Traz ainda entrevistas e dois portfólios assinados por Annie Leibovitz.

Algumas das melhores análises que li sobre a obra dos Beatles e de Lennon estão neste livro, em ensaios críticos e biográficos.

A última entrevista de Lennon à Rolling Stone foi feita três dias antes do seu assassinato. O último ensaio fotográfico de Leibovitz é do dia da tragédia.

A Balada de John & Yoko, através dos seus muitos textos, oferece um retrato do artista, durante e depois dos Beatles, e fala da sua relação com Yoko Ono e do papel que ela desempenhou na vida e na arte dele.

“Entre as muitas coisas que serão por muito tempo lembradas a respeito de John Lennon, uma das mais espantosas é o compromisso inflexível e sem limites de sua vida, seu trabalho e seu corpo franzino com a verdade, a paz e a humanidade” – escreve Jann Wenner logo no começo do livro.

Na época do lançamento do livro, A Fundação Contra a Violência na América (The Foundation on Violence in America) recebeu parte dos direitos da publicação.

Essa organização foi criada para facilitar uma notável, significativa e sustentável redução na violência provocada por armas de mãos nos Estados Unidos.

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No Brasil de 2019, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, sugeriu que tudo teria sido diferente naquele oito de dezembro de 1980 se John Lennon estivesse armado.

Teria sido diferente – ouvi de uma voz sensata – se Mark Chapman estivesse desarmado.

Eduardo Bolsonaro e a foto falsa da menina Greta Thunberg

Esta é a imagem verdadeira da ativista sueca Greta Thunberg dentro de um trem.

Esta é a imagem falsa.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, postou a imagem falsa.

Vi no Jornal Nacional que, no momento da postagem, já se sabia que a foto havia sido manipulada.

A difusão de fake news em larga escala nas redes sociais ameaça o futuro do jornalismo.

Os políticos de extrema direita desqualificam o jornalismo, seus veículos e seus profissionais.

Uma fatia expressiva da esquerda não compreende o papel da imprensa nas democracias.

A luta em defesa do verdadeiro jornalismo faz parte da luta pela preservação do estado democrático de direito.

ABBEY ROAD FAZ 50 ANOS

Nesta quinta-feira (26), faz 50 anos que o Abbey Road, último disco gravado pelos Beatles, foi lançado no Reino Unido.

Eu tinha 10 anos e lembro quando o disco chegou às lojas de João Pessoa.

A capa tão simples que se tornaria tão icônica.

A edição brasileira seguia o padrão da Odeon, que distribuía entre nós os discos dos Beatles: capa sandwich, plastificada por dentro e por fora, com uma “costura” na parte superior e no dorso.

O selo dourado lá em cima avisava se o exemplar era stereo. Estereofônico – estava grafado assim.

Vi pela primeira vez na Discolândia, uma loja dos irmãos Lucena que ficava no térreo do Paraíba Palace Hotel.

Mas, antes, ouvi Here Comes the Sun no rádio. Foi meu primeiro contato com o Abbey Road.

Naquele tempo, você ligava o rádio e ouvia Hey Jude, Ob-la-di Ob-la-da, Get Back, The Ballad of John and Yoko.

Ouvia Gil cantando Aquele Abraço. Caetano, Irene. Os Mutantes, Ando Meio Desligado. Gal, Não Identificado. Roberto Carlos, As Curvas da Estrada de Santos.

Comecei com Here Comes the Sun. George Harrison. Depois, Something. Outra vez, George. Clássicos instantâneos. Something, uma das mais belas canções dos Beatles. Foi escrita sob a inspiração de Ray Charles.

Come Together trazia o rocker visceral que havia em John Lennon. O mesmo John que, na outra ponta, e com a ajuda de Yoko, nos presenteava com a imensa beleza de Because.

“Parece música clássica” – falei para a minha mãe, guiado pelos meus ouvidos ainda infantis, subindo a Diogo Velho a caminho de casa, com o disco na mão.

Parecia mesmo. Havia acordes invertidos da Sonata ao Luar, de Beethoven.

Oh! Darling era um legítimo Paul McCartney, grande baladeiro, numa performance vocal sem igual.

O lado A tinha faixas soltas. Seis. Duas de Lennon. Duas de McCartney. Uma de Harrison. Uma de Ringo. Dizem que foi concebido por John.

O lado B tinha um monte de faixas. Algumas bem curtas. Um medley interminável. Ou – se quisermos – mais de um. Foi ideia de Paul.

McCartney, o melhor melodista do grupo, estava completo em You Never Give Me Your Money.

Mais ainda: em Golden Slumbers, uma das mais belas entre todas as canções dos Beatles. Tão breve e tão devastadora.

No final do disco, há o solo de Ringo e as guitarras de John, Paul e George, todas solando. Até hoje, é como Paul fecha seus shows.

E há o epitáfio: No fim, o amor que você recebe é igual ao amor que você dá.

O Abbey Road atravessou meio século.

É um dos discos mais amados do mundo.

Nêumanne: “A ONU é um bando de comunistas desempregados”

Li José Nêumanne Pinto no Jornal do Brasil.

Meados da década de 1970.

Lembro dele comentando o especial de Chico Buarque na Bandeirantes.

O especial do disco Meus Caros Amigos, creio.

Conheci Nêumanne ainda na década de 1970, eu já na redação de A União.

Era amigo de amigos meus.

Dylan, Beatles, a música brasileira, os filmes, as leituras. Eram essas as conversas com ele.

Zé Nêumanne, um humanista – pensava eu.

Tínhamos orgulho dele.

*****

Ultimamente, tenho visto uns vídeos postados por Nêumanne.

Não é aquele Nêumanne que conheci muitos anos atrás.

É outro.

Hoje cedo, vi seu comentário sobre a ida de Bolsonaro à ONU.

Transcrevo.

Apenas transcrevo:

A Organização das Nações Unidas é uma excrescência. É uma velharia que custa uma fortuna para a humanidade.

A ONU é um bando de comunistas desempregados, de socialistas pendurados numa enorme teta internacional sustentatada pelos países que dão muito do seu dinheiro para erguer e manter de pé aquele edifício à inutilidade, aquele monumento à inutilidade, ao inócuo.

Sobre o discurso de Bolsonaro:

É um discurso que denuncia os vícios que sustentam esse imenso, esse colossal desperdício que é a Organização das Nações Unidas.  

Sórdida é a visão que o governo Bolsonaro tem da cultura

A Funarte foi criada pelo governo militar em meados da década de 1970.

Foi a Funarte que realizou o inesquecível Projeto Pixinguinha.

Quem acabou com a Funarte (mais tarde recriada) foi Collor.

O homem da cultura de Collor era o paraibano Ipojuca Pontes, que só nos envergonha.

Roberto Alvim, diretor da Funarte sob Bolsonaro, chamou Fernanda Montenegro de sórdida.

um amigo meu, bem-intencionado,
me perguntou hoje se não era hora de mudar de estratégia e chamar a classe artística pra dialogar.

não.
absolutamente não.

trata-se de uma guerra irrevogável.

a foto da sórdida Fernanda Montenegro como bruxa sendo queimada em fogueira de livros,
publicada hoje na capa de uma revista esquerdista,
mostra muito bem a canalhice abissal destas pessoas,
assim como demonstra a SEPARAÇÃO entre eles e o povo brasileiro.

temos, sim, que promover uma RENOVAÇÃO completa da classe teatral brasileira.
é o ÚNICO jeito de criarmos um RENASCIMENTO da Arte no Teatro nacional.

pq a classe teatral que aí está
é radicalmente PODRE.

e com gente hipócrita e canalha como eles,
que mentem diariamente, deturpando os valores mais nobres de nossa civilização,
propagando suas nefastas agendas progressistas,
denegrindo nossa sagrada herança judaico-cristã,
bom – com essa corja
NÃO HÁ DIÁLOGO POSSÍVEL.

Quem nos salvará dessas trevas?

Ou: que tragédia é essa que cai sobre todos nós?

Fernanda Montenegro sórdida?

Sórdida é a visão que o governo Bolsonaro demonstra ter da cultura brasileira e dos seus legítimos representantes.

Começa venda de ingressos para Roberto Carlos no Pedra do Reino

Começa nesta segunda-feira (23), às 10 da manhã, a venda de ingressos para o show de Roberto Carlos no Teatro A Pedra do Reino.

O show será no dia 10 de dezembro.

Os ingressos serão vendidos pelo site Eventim.

Vendas físicas na Mioche do Manaíra Shopping.

Plateia ouro: 400 (meia) e 800 (inteira).

Plateia prata: 300 (meia) e 600 (inteira).

Plateia bronze: 250 (meia) e 500 (inteira).

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O show de Roberto Carlos é sempre muito parecido. Como são os shows de Paul McCartney ou dos Rolling Stones. Não é defeito.

Uma série de sucessos, uma ou outra canção nova. A fórmula é essa. Não há grandes surpresas. Nem é necessário.

No caso de Roberto Carlos, o que é mais importante é a experiência de estar diante de um artista com a dimensão desse cantor a quem nós, brasileiros, há tantos anos chamamos de Rei.

O set list de hits percorre a carreira de Roberto Carlos. O show geralmente começa com um medley instrumental seguido de Emoções. E termina com Jesus Cristo e a distribuição de rosas.

As canções oferecem pequenos retratos do Rei. Falam do tempo delas e de como essas melodias e letras foram se inserindo na memória afetiva de milhões de pessoas. Isso está entre o que há de essencial no show de Roberto Carlos.

E há o seu extraordinário carisma, a voz tamanha, a grande banda conduzida pelo maestro Eduardo Lages.

Na música popular do Brasil, poucas coisas são tão boas quanto ver Roberto Carlos ao vivo.

Perde muitíssimo quem ainda não teve esse experiência.

Eu repito sempre!

Saudades do Moleque Gonzaguinha!

Se estivesse vivo, Gonzaguinha faria aniversário neste domingo (22).

Luiz Gonzaga Jr. era como o chamávamos quando se projetou no início dos anos 1970. “Belo é o Recife pegando fogo/na pisada do maracatu” – ouvimos em Festa, na voz de Luiz Gonzaga, o pai, quando poucos conheciam o filho.

Circuito universitário, pequenos festivais, Som Livre Exportação, Gonzaguinha já estava nas imagens de um filme chamado Som Alucinante, no final de 1972. Ao vivo, fomos vê-lo pela primeira vez na caravana Setembro, em 1975.

A caravana era algo inacreditável. Não seria possível nos dias de hoje. Um ônibus, um grupo de artistas, shows de cidade em cidade. E que artistas! Paulinho da Viola, Fagner, Gonzaguinha, Moraes Moreira. Mais Sueli Costa, Copinha e sua flauta, Armandinho, Dadi e Gustavo, que depois formariam A Cor do Som. De dia, uma pelada com um time local, um filme (Chega de Demanda, Cartola), um bate-papo. De noite, o show. Em João Pessoa, no ginásio do Sesc, no centro. Público? Quase nenhum. Gonzaguinha estava lá, à época de Plano de Voo.

Começaria Tudo Outra Vez. Disco e show em 1976. No palco, somente voz e violão. O artista viajava numa Kombi, se hospedava na casa de um amigo. No ano seguinte, Moleque Gonzaguinha. Gonzaguinha e banda. Tinha Fredera na guitarra, Arnaldo Brandão no baixo. Tudo visto bem de perto, no Teatro Santa Roza. Parece mentira! Muita conversa na hora da coletiva, jantar depois do show. O poeta Caixa D’Água no meio. Vivíamos no Brasil da ditadura, sonhando com o Brasil redemocratizado. Estávamos em 1977.

Depois, a explosão. Gonzaguinha da Vida. O sucesso. Explode Coração na voz de Bethânia. “Não dá mais pra segurar…”. O moleque desceu o São Carlos, pegou um sonho e partiu. “Pensava que era um guerreiro/com terras e gentes a conquistar”. Na passagem por aqui, uma noite no Santa Roza, outra no ginásio do Astrea. Uma grande banda. Um grande show. Gonzaguinha estava incorporado ao primeiro time da MPB. Fazia parte das vozes que lutavam contra a ditadura. Como Ivan Lins e João Bosco, seus contemporâneos.

Luiz Gonzaga Jr. virou Gonzaguinha. Sua música tinha o baião do pai e o samba do morro de São Carlos, onde Dina o criou. E muitas outras coisas. Do bolero (Começaria Tudo Outra Vez) ao rock (Petúnia Resedá). Do fado (É Preciso) ao blues (Uma Família Qualquer).

No disco de 1979, o dueto com Luiz Gonzaga, em A Vida do Viajante, parecia o prenúncio do show que fariam juntos. Só quem viu sabe como foi bonito! Gonzaga, o velho, até virou Gonzagão. Saudades de Luiz Gonzaga Jr., saudades daqueles shows inacreditáveis!

Belo CD em homenagem a Mãe Carmen traz música e resistência

Iyalorixá, desde 2002, do Terreiro do Gantois, em Salvador, Mãe Carmen é a filha mais nova de Mãe Menininha.

Ela completou 90 anos no fim do ano passado e agora recebe como homenagem o CD Obatalá.

Distribuído pela Deck e com direção geral de Flora Gil, o disco traz música afro-sacra brasileira cantada em yorubá por grandes nomes da nossa música popular.

Idealizado por integrantes do Grupo Ofá, o projeto reuniu, entre outras vozes, as de Gilberto Gil, Gal Costa, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Jorge Ben Jor, Alcione e Zeca Pagodinho.

Gilberto Gil resume:

“Esse trabalho tem uma função importante de registro, uma função didática, uma função pedagógica, de instrução, de valorização e de referência para a Bahia e o Brasil como um todo. O candomblé é um elemento importante da civilização brasileira, e este disco será um aspecto importante do candomblé”.

A música é encantadora.

A sua imensa beleza foi o que me arrebatou logo nas primeiras audições.

Há, a um só tempo, a fidelidade à matriz e a familiaridade que temos com as vozes convidadas para esse registro.

À percussão, somam-se uma guitarra, um piano, um sax, um trompete, um cello. O uso sutil desses instrumentos faz com que eles não se sobreponham à força original dos cânticos religiosos.

Outro aspecto a destacar no CD é o seu admirável caráter de resistência.

Resistência pelo sentido de preservação de algo importante na formação do povo brasileiro.

Resistência também porque vem num momento em que o Brasil se vê diante de muitas intolerâncias. A religiosa entre elas.

Resistir é preciso.

Obatalá, nessa perspectiva, é um gesto corajoso.

Críticas a Bacurau – que bom! – revelam direitistas enrustidos

Bacurau provocou um debate através de artigos na Folha de S. Paulo.

Bacurau é testemunho da extinção de vida inteligente na esquerda brasileira – escreveu Demétrio Magnoli.

Críticos dizem que Bacurau é um filme de propaganda; e daí? – na réplica, respondeu o crítico de cinema Inácio Araújo, que havia conferido a cotação de cinco estrelas ao filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles.

Em Bacurau, cinema deixa interesse público, segregando-se na bolha do Partido – lá veio a tréplica de Magnoli.

Já “Bacurau e o mito da imparcialidade” é o título de um texto que Luiz Zanin publicou no Estadão. Creio que menos sobre Bacurau, mais sobre a arte da crítica. Soma-se a esse debate.

Destaco um pequeno trecho de Zanin: “Claro que, no fundo, ao lermos esses textos, ficamos sabendo mais sobre seus autores do que sobre o filme em si”.

*****

O debate entre Magnoli e Araújo na Folha e o texto de Zanin no Estadão me levaram a reler alguns artigos sobre Bacurau. Principalmente os negativos. Também os ambíguos.

Faço breves observações.

Não faz muito tempo, as pessoas tinham vergonha de ser de direita.

Era uma coisa feia.

Nos últimos anos, e mais agora com a eleição de Bolsonaro, a direita brasileira saiu do armário.

Pior: a extrema direita.

Mas ainda há alguns envergonhados, enrustidos.

É interessante como a crítica a Bacurau os revela.

Ou: como Bacurau os incomoda.

Mais: como o filme mexe com a “agenda moral” de cada um deles.

Bacurau é um grande acontecimento estético – escrevi quando vi o filme pela primeira vez.

Disse também que Bacurau é um grande acontecimento político.

Há muito que não víamos um filme brasileiro provocar tantas reações.