Filme sobre Jackson cumpre seu papel se for visto pelos jovens

O documentário Jackson, Na Batida do Pandeiro ficou pronto.

Do sonho à realidade, foram muitos anos.

Neste final de semana, dentro do festival que, em João Pessoa, celebrou o centenário do nascimento de Jackson do Pandeiro, o filme de Marcus Vilar e Cacá Teixeira chegou finalmente ao público.

O documentário começa e termina com a morte do artista.

A sua história é, portanto, contada através de um longo flashback. Funciona bem como elemento narrativo.

Não há voz em off fazendo a narração.

A trajetória de Jackson vai sendo montada através dele próprio e da extensa lista de pessoas que Marcus e Cacá entrevistaram para o filme.

Alagoa Grande, Campina Grande, João Pessoa, Recife, Rio de Janeiro, um pouco de São Paulo e, por fim, Brasília. Este caminho da vida de Jackson é o mesmo que o filme percorre quase sem fugir da cronologia dos fatos.

O documentário é didático sem ser didático.

Acho que Marcus Vilar o definiu assim.

Faz sentido.

Tem um papel didático a cumprir, mas sem a chatice dos filmes didáticos.

Jackson, Na Batida do Pandeiro tem a formação do personagem, a busca pelo sucesso, o auge da carreira, os anos de ostracismo, o resgate pelo Tropicalismo, as mulheres, os artistas que influenciou.

Traz tudo isso em cerca de 100 minutos.

Há depoimentos valiosos e números musicais arrebatadores.

Oferece um retrato expressivo desse grande artista genuinamente do povo.

Os que já passaram dos 50 anos – sobretudo esses – e têm Jackson como parte significativa da sua memória afetiva, certamente verão o filme com alguma nostalgia.

Nostalgia não só da música do homenageado, talvez do Brasil que produziu esses artistas.

Mas creio que o documentário será de fato importante e necessário se conseguir estabelecer algum diálogo com os jovens.

É preciso fazer coisas – o filme é uma delas – para que eles não passem ao largo do legado de Jackson do Pandeiro.