APOLLO 11/50: No mundo da Lua

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NO MUNDO DA LUA

Na mitologia grega, Selene, a deusa da Lua. Daí o nome selenografia para o estudo da superfície lunar. E selenógrafo para quem se dedicou a esse estudo.

Em seu tempo, o cearense Rubens de Azevedo foi um dos grandes astrônomos brasileiros. Seu negócio era a Lua.

O professor Rubens não era um homem dos números, dos cálculos. Era um romântico, um poeta, um artista plástico. Por isso, se apaixonou pela Lua e passou a estudá-la com afinco. E a desenhá-la.

Fez milhares de observações do nosso satélite natural. Numa delas, descobriu uma espécie de acidente geográfico transitório. Comunicou à NASA. E a agência espacial americana comunicou aos astronautas da Apollo 11.

Queria que a sua descoberta fosse chamada de Brasiliana. Não foi. Dizem que recebeu o nome de um americano!

Em 1969, quando o homem chegou à Lua, o professor Rubens morava em João Pessoa. Era diretor do Observatório Astronômico da Paraíba. Funcionava no centro, ali na 13 de maio.

No observatório, acolheu os amantes da astronomia. Sobretudo jovens atraídos pelas belezas do céu. O professor foi fundamental na formação intelectual deles. Fiz parte desse grupo, na minha adolescência, e aprendi muito com ele.

Não tinha somente a astronomia para oferecer. Falava de arte, de estética, filosofia, música, cinema, literatura. Dava aulas o tempo todo em suas conversas. Emprestava livros e discos. Comentava os filmes.

No observatório, muitos contavam uma história, mas ninguém tinha coragem de checar com o professor se era verdadeira.

Em agosto de 1969, na estreia de 2001: Uma Odisseia no Espaço, com o Cine Municipal lotado, o nosso astrônomo não resistiu à beleza da sequência em que se ouve o Danúbio Azul, ficou em pé e gritou para toda a plateia ouvir:

Esse é um dos momentos mais felizes da minha vida!

Claro que foi duramente repreendido pela mulher, Dona Jandira, que estava ao seu lado.

Verdade?

Lenda?

Não sei.

Mas fica como no filme de John Ford: quando a lenda se sobrepõe à verdade, publica-se a lenda!