Billie Holiday, a maior cantora do jazz, morreu há 60 anos

Billie Holiday ainda não era Billie Holiday.

Era Eleonora, nascida na Filadélfia em 1915.

Eleonora e sua vida miserável na infância e adolescência.

Fugindo da prostituição, tentou emprego como dançarina.

Foi quando ouviu do dono de um bar:

Dançarina, não. Tenho vaga para cantora. Você sabe cantar?

Ao que respondeu:

Cantar? Ora! Todo mundo sabe!

E cantou!

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Billie Holiday foi a maior de todas as cantoras do jazz.

A maior e a mais verdadeira.

A voz doce e amarga.

Um pouco rouca.

Ligeiramente infantil.

Levemente perversa.

Ou perversamente infantil.

Querem saber?

É inútil.

As palavras não dirão como era a sua voz!

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O melhor de Billie Holiday está nos discos de 78 rotações que gravou na Columbia, entre 1933 e 1942.

São tecnicamente limitados, mas a voz está no auge.

Nos anos 1940, há passagens pela Commodore e pela Decca.

Na década de 1950, sob contrato da Verve, fez discos muito bem gravados, mas com a voz já afetada pelas drogas e pelo álcool. De todo modo, são de uma beleza imensa.

O final – no álbum Lady in Satin – foi novamente na Columbia.

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Em março de 1959, Billie enterrou o saxofonista Lester Young, seu querido amigo e grande parceiro musical.

A caminho do cemitério, disse ao crítico de jazz Leonard Feather:

Serei a próxima.

E estava certa.

A cirrose hepática, a insuficiência cardíaca e um edema pulmonar mataram Billie Holiday no dia 17 de julho de 1959.

Faz 60 anos. Tinha 44.

Sua vida foi uma tragédia.