APOLLO 11/50: A Terra é azul

A TERRA É AZUL

Em 12 de abril de 1961, o cosmonauta Yuri Gagarin pronunciou essa frase ao se transformar no primeiro homem que orbitou nosso planeta.

Eu tinha dois anos, claro que não tenho nenhuma lembrança do feito, mas cresci ouvindo meu pai falar da sua importância científica, do seu significado histórico e da força poética da frase.

A Terra é azul – a simplicidade do comentário de Gagarin não destoa da dimensão do seu voo pioneiro.

Antes, parece a mais perfeita tradução do impacto que aquela visão provocou.

O planeta visto não exatamente de longe, mas de fora, como ninguém o havia observado antes.

Yuri Gagarin foi um dos heróis da minha infância. Talvez o maior deles, numa época em que sonhávamos com a conquista do espaço.

Os soviéticos largaram na frente. Lançaram o primeiro satélite artificial (o Sputnik) em outubro de 1957.

Colocaram animais em órbita da Terra (a cadelinha Laika foi e não voltou) e, por fim, um homem.

Os Estados Unidos demoraram um pouco mais, mas deram passos semelhantes até transformar John Glenn no primeiro astronauta americano a voar em órbita da Terra.

Os americanos eram astronautas. Os soviéticos, cosmonautas.

A figura de Gagarin sempre me leva a uma viagem sentimental pela década de 1960. E me remete não só à sua frase, mas à que o americano Neil Armstrong pronunciou quando pisou o solo lunar pela primeira vez, em 20 de julho de 1969:

Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade.

Apenas oito anos separam uma frase da outra.

De certa forma, se a de Gagarin abre, a de Armstrong fecha a década de 1960.

As duas podem fazer a síntese daquele tempo em que a Guerra Fria movia a corrida espacial.