Jornalistas, governos e a morte de Paulo Henrique Amorim

O jornalista ocupava cargo de chefia no governo estadual. O governador perdeu a eleição. O jornalista foi exonerado quando o governador eleito tomou posse.

Pode não ser republicano, mas é a regra.

Desempregado, o jornalista ofereceu sua força de trabalho ao secretário de Comunicação. Não precisava ser em cargo de chefia.

Ouviu, como resposta, que não teria qualquer espaço no novo governo.

Ouviu também que poderia ficar tranquilo porque ele, o secretário, não impediria a sua contratação pela iniciativa privada.

Entendeu que era o método em vigor.

E lamentou que fosse.

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Lembrei da história nesta quarta-feira (10) quando soube da morte de Paulo Henrique Amorim.

O debate sobre como os governos – de direita ou de esquerda – perseguem os jornalistas é permanente.

Por anos, Paulo Henrique Amorim foi repórter na Rede Globo.

Mais na frente, já na Record, apresentava o programa noturno dos domingos.

Paralelamente, fazendo web jornalismo, Paulo Henrique não tinha papas na língua.

Dizia o que pensava.

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Desde que o presidente Jair Bolsonaro tomou posse, muitos dizem que a Record está alinhada ao governo.

Semanas atrás, a Record tirou Paulo Henrique Amorim da apresentação do Domingo Espetacular.

Foi para agradar o governo ou para atender a um pedido do governo?

A morte de PHA amplia esse debate.