Bolsonaro termina o mandato? FHC falou em impeachment

Em 1974, quando Nixon renunciou à presidência dos Estados Unidos, eu tinha 15 anos.

O escândalo de Watergate foi meu primeiro contato com um processo de impeachment.

Em 1992, quando Collor foi derrubado por um impeachment, eu tinha 33 anos.

Da esquerda à direita, quase todos entenderam que era hora de encerrar a aventura iniciada na eleição de 1989.

Pensei que nunca mais testemunharia outro impeachment no Brasil.

Em 2016, quando Dilma foi derrubada por um impeachment, eu tinha 57 anos.

Um grande acordo político do centro para a direita tirou a presidente do poder.

Golpe parlamentar. Assim foi chamado.

A banalização do impeachment não é saudável para as democracias.

Precisamos eleger presidentes que governem, que cumpram os mandatos para os quais foram eleitos.

É uma regra básica, assim me parece.

Mas também precisamos saber escolher nossos governantes, levando em conta a experiência, a capacidade, o talento político, o programa de governo, etc.

Em 1989, havia indícios de que Collor não daria certo.

Em 2018, era óbvio que Bolsonaro não daria certo.

A sua eleição parece confirmar o que ouvi de Celso Furtado às vésperas da eleição de Collor: que as elites brasileiras são muito atrasadas.

Nesta quarta-feira (15), as ruas começaram a acordar em dezenas de cidades brasileiras.

Em Dallas, o presidente chamou os manifestantes de “idiotas úteis”.

Aqui, foi chamado de “idiota inútil”.

Também nesta quarta-feira, O Antagonista postou uma fala de FHC que chamou minha atenção.

Era sobre impeachment.

O ex-presidente disse:

“Eu, a princípio, não sou favorável. O custo é alto. Mas, às vezes, é inevitável.”

FHC foi senador, ministro, presidente da República.

Aos 87 anos, o sociólogo é um homem de grande experiência política.

FHC não fala de graça.