Mautner reza a Jesus de Nazaré ao som dos tambores do candomblé

É preciso exterminar

A doença mental, física e assassina

Do racismo, do anti-feminismo

E do neonazismo

Jorge Mautner é judeu.

Jorge Mautner é filho do Holocausto.

Jorge Mautner é comunista.

Jorge Mautner é cristão.

Jorge Mautner reza para Jesus de Nazaré ao som dos tambores do candomblé.

Jorge Mautner quer que o mundo se “brasilifique” para não virar nazista.

Jorge Mautner é escritor.

Jorge Mautner é compositor.

Jorge Mautner é um homem culto.

Jorge Mautner faz da sua música um instrumento de difusão do seu pensamento rico e complexo.

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Muitos chegaram a Mautner através de Caetano Veloso.

Eu cheguei. Em 1972, quando ouvi o disco Para Iluminar a Cidade.

Mautner sempre correu por fora do sucesso, sempre ficou à margem.

A sua música é muito simples.

As letras me interessam mais.

Mas há um casamento eficaz entre as duas coisas.

Jorge Mautner é Jorge Mautner

Único.

Originalíssimo.

Tão lúcido e tão louco.

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Jorge Mautner está beirando os 80 anos.

Ele acaba de lançar um disco novo, de canções inéditas.

Não há abismo em que o Brasil caiba é o título.

Traz reflexões muito oportunas não necessariamente sobre, mas para o Brasil de hoje.

Elas se juntam a temas permanentes em Mautner.

O disco é dedicado à memória de Nelson Jacobina, seu parceiro por décadas.

Agora ele tem ao seu lado Bem Gil e os demais integrantes da banda Tono.

É um belo e produtivo diálogo de Mautner com músicos jovens.

Jorge Mautner é indispensável!

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Os versos em destaque lá em cima são da música Marielle Franco.