Bete Mendes, atriz e ativista, faz 70 anos.

Comecei o sábado (11) revendo Eles Não Usam Black Tie. Fazia tempo que não via.

A peça de Gianfrancesco Guarnieri é do final da década de 1950. Dos anos JK.

O filme de Leon Hirszman é do início da década de 1980. Dos estertores da ditadura militar.

Vinte e poucos anos separam um do outro.

Quando Hirszman filmou a peça de Guarnieri, o Brasil já vira as greves do ABC comandadas pelo jovem Lula.

O filme acabou sendo um retrato daquele momento histórico.

Mas as lutas nele inseridas atravessam o tempo, embora mudem de feição.

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Há muitos anos, estive com Bete Mendes nos bastidores de uma entrevista na TV Cabo Branco.

Conversamos sobre Black Tie e o cinema de Hirszman.

No filme, ela é Maria, a namorada grávida de Tião, que fura a greve e é posto para fora de casa pelo pai, Otávio, um dos líderes do movimento.

No teatro, Guarnieri era Tião. No cinema, Otávio.

Ao falar sobre a admiração que tenho por Bete, naquela conversa na TV Cabo Branco, não fiquei na ficção.

Fiz questão de ir para a vida real, mencionando a sua coragem ao denunciar, num evento diplomático durante o governo Sarney, o coronel Ustra, que a torturou quando foi presa pela ditadura no início dos anos 1970.

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Bete é assim.

Atriz e ativista.

Respeito muitíssimo as duas, que são uma só.

Bete conciliou os dois caminhos.

Fez dramaturgia sem nunca se afastar da militância política.

Chegou a ser deputada federal, foi constituinte.

Esteve em cena nas telenovelas e na vida política nacional.

Ficou sempre do lado das lutas democráticas. Nunca abriu mão disso.

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Neste sábado (11), Bete Mendes faz 70 anos.

Parabéns, Bete!