A Paraíba, que vai homenagear Jackson, falhou com Severino

Severino Araújo, o grande maestro da Orquestra Tabajara, nasceu num 23 de abril como hoje. Há 102 anos.

Agora em 2019, quando vejo a Paraíba se preparando para as justíssimas homenagens a Jackson do Pandeiro pelo centenário do seu nascimento, constato como o Estado foi injusto, em 2017, ao deixar passar em branco o centenário de Severino.

O maestro e sua extraordinária big band têm um lugar especial na minha memória afetiva.

Severino Araújo nasceu em Limoeiro, Pernambuco, em 23 de abril de 1917. O pai era mestre de banda. Foi seu primeiro professor.

Na Paraíba, tocou na banda da Polícia Militar antes de, em 1937, ingressar na Orquestra Tabajara como primeiro clarinetista. A orquestra pertencia à recém fundada Rádio Tabajara.

Severino assumiu o comando da orquestra em 1938, aos 21 anos, com a morte do maestro Olegário de Luna Freire.

O resto é História. Assim mesmo, com H maiúsculo.

A Tabajara foi para o Rio de Janeiro no início dos anos 1940 e se transformou na mais importante big band brasileira.

Severino esteve à frente da orquestra por 68 anos. Nela, acolheu seus irmãos: Zé Bodega (sax), Manoel (trombone), Jayme (sax) e Plínio (bateria).

Como autor, está nas antologias do choro com Espinha de Bacalhau. E nas do frevo com Relembrando o Norte.

A Tabajara foi criticada por tocar jazz. Bobagem. Era brasileiríssima. Mas também do mundo. Severino era um mestre. Compondo, arranjando, regendo. Band leader carismático, com um vigor e um charme invejáveis – quem viu ao vivo sabe!

A Orquestra Tabajara teve seus anos de ostracismo. Voltou no início dos anos 1980, nas domingueiras do Circo Voador, no Rio. Em João Pessoa, naquela década, fez vários carnavais do Clube Cabo Branco. Também fez bailes não carnavalescos e shows. O sexagenário Severino parecia um garoto comandando a sua big band!

Conheci Severino Araújo naquele retorno a João Pessoa. Estive perto dele sempre que pude, nos carnavais e fora deles. Nunca me faltou a consciência do quão significativo era aquele vínculo. Fui recompensado por seu afeto e suas histórias.

Uma noite, no intervalo de um baile, ele me disse que, na juventude, sonhava em dar ao Brasil uma grande orquestra popular. E que esperava ter realizado o sonho com a Tabajara.

Claro que realizou!