Filme sobre agonia de Tancredo é ruim, mas precisa ser visto

Neste domingo, 21 de abril, faz 34 anos que Tancredo Neves morreu.

O hábil político de Minas não viveu para ser o primeiro presidente civil depois de 21 anos de presidentes militares.

Para os contemporâneos dessa tragédia nacional, a sua morte ainda é um acontecimento que está bem guardado na memória. Para os garotos e garotas de hoje, deve ser uma história remota muito pouco conhecida.

O filme O Paciente, de Sérgio Rezende, se debruça sobre a agonia de Tancredo. Começa às vésperas da posse e termina com a sua morte.

Tem algumas virtudes e muitos defeitos. O maior deles: parece demais com televisão feita para a gente ver no cinema. No ritmo, nos enquadramentos, na montagem, no uso de imagens reais da época.

Uma das virtudes: o Tancredo Neves de Othon Bastos. Grande ator, Bastos recria com notável fidelidade o político que todos nós, seus contemporâneos, vimos em ação.

(Aliás, o Tancredo que vi de perto na sede do PMDB em João Pessoa, numa entrevista coletiva em outubro de 1984, já me pareceu uma pessoa doente, embora ninguém imaginasse que estaria morto seis meses mais tarde.)

O melhor seria se um filme como O Paciente pudesse cumprir um papel educativo, didático. Se pudesse ser visto por jovens, sobretudo nas escolas. Se suscitasse debates.

Sim. Jovens debatendo política nas escolas.

O inverso do que quer o presidente Bolsonaro.