Nelma Figueiredo morreu há um ano

Neste sábado (30), faz um ano da morte da jornalista Nelma Figueiredo.

Às cinco da tarde, será celebrada uma missa na igreja São Pedro e São Paulo, no Brisamar.

Esse texto, que republico hoje, escrevi no dia em que Nelma morreu.

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Nelma Figueiredo morreu.

Dizer que ela foi uma das melhores jornalistas da minha geração pode ser um clichê, mas é absolutamente verdadeiro.

Dizer que ela lutou bravamente contra o câncer que a consumiu em menos de dois anos é outro clichê, mas foi exatamente assim.

Nelma enfrentou a doença com uma força singular.

Sabia, desde o início, que a cura era uma impossibilidade.

A luta era por mais tempo de vida.

Movida pela fé, tinha uma esperança que só se foi nas últimas semanas, quando entendemos que não havia mais nada a fazer.

Quando entendeu que a batalha estava perdida.

Na juventude, éramos assim, como nessa foto do tempo da universidade.

1983. Ou 1984. Parecíamos felizes.

O Brasil que estava mudando.

Os sonhos com um exercício digno da profissão que escolhêramos.

Nelma está no centro.

Tinha 19 ou 20 anos.

Era uma garota inquieta que morava no mesmo bairro que eu e me levava para as aulas noturnas de fotografia.

A partir de 1988 – ela com 24 anos, eu com 29 – juntamos a amizade com a parceria no campo profissional.

Convergimos muito.

Também divergimos.

Tivemos grandes desencontros afetivos e profissionais.

Daqueles que o tempo e a capacidade de perdoar resolvem.

E que parecem confirmar as verdadeiras amizades.

Não serei modesto: quando começamos, na TV Cabo Branco, fizemos jornalismo pioneiro. A televisão acabara de chegar a João Pessoa, e tínhamos consciência de que fazíamos história no jornalismo paraibano. Abríamos caminho para o que viria em seguida. Brigávamos pelo cânone, mas temíamos, com razão, muita coisa ruim que mais tarde contaminaria nossas telinhas.

Nelma amava a profissão.

Respirava notícia.

Era jornalista o dia todo, onde quer que estivesse.

Tinha predileção pela editoria de política.

Gostava de cobrir os bastidores do poder, os processos eleitorais.

Adorava conversar sobre os cenários e seus personagens em longos telefonemas.

Era repórter por excelência. Ágil, brilhante, com um feeling extraordinário.

Tinha orgulho do que fazia porque fazia muito bem.

Amava estar na rua com sua equipe.

Quando retornava à redação, corria para a ilha de edição para compartilhar comigo o que conseguira.

Comumente, ia além da pauta, trazia o melhor.

Nessa foto, de 2017, ela aparece tão bonita.

Mas estava triste.

Segurava uma barra que optou por dividir com poucos, poupando família e amigos.

Na tarde desta sexta-feira santa, descansou.

É outro clichê.

Mas foi assim mesmo.

Com Nelma Figueiredo, experimentei ter uma amiga a quem a gente pode dizer que ama.

E ouve que é amado.