O que temos sob Bolsonaro não é normal. A quem crê, digo: oremos!

O post de hoje surgiu numa conversa de redação.

*****

Nasci em 1959. O presidente era JK.

Tinha pouco mais de um ano quando Jânio foi eleito.

Pouco mais de dois quando renunciou.

Meu avô materno tinha um santinho da campanha de Jânio na parede. Ficou lá por muitos anos. Jânio e a vassoura com a qual prometera varrer a bandalheira. Antecipava, em quase 30 anos, a conversa de Collor sobre a guerra aos marajás. E, em quase 60, o discurso de Bolsonaro contra a “velha política”.

Eu ia fazer cinco anos quando os militares depuseram Jango. Lembro vagamente.

Sobre JK, Jânio e Jango, o que tenho arquivado na memória foi construído mais tarde.

*****

Castelo Branco

Um dia, meu pai disse à minha mãe que era bobagem acreditar que ele devolveria o poder aos civis e que logo teríamos gente como Brizola e Lacerda disputando as eleições presidenciais.

Costa e Silva

Teve a turbulência de 68, o AI-5, o golpe dentro do golpe, a junta militar que assumiu o poder.

Médici

Na escola, a professora repreendeu o aluno que chamou o presidente de “Garrafa Azul”. Teve o “milagre econômico”, o ame-o ou deixe-o e a frase que nunca deletei: “O país vai bem, mas o povo vai mal”.

Geisel

Teve o início da abertura lenta e gradual. E Golbery, que Glauber Rocha chamou de “gênio da raça”. Teve também Herzog e o murro na mesa quando o general Frota tentou depor o presidente.

Figueiredo

Ao cheiro do povo, preferia o cheiro dos cavalos. Disse que prenderia e arrebentaria os que se opusessem à abertura. Foi o último presidente do ciclo militar.

*****

Tancredo

Uma tragédia nacional.

Sarney

Na juventude, era da bossa nova da UDN. Depois, homem de confiança da ditadura. Rompeu para ser vice de Tancredo. Foi o primeiro presidente civil depois de 64 e o último eleito pela via indireta. Teve o Plano Cruzado e – lembram? – os “cinco anos para Sarney”.

Collor

Tipicamente, uma aventura brasileira. Era óbvio, para os que não votaram nele, que não daria certo. “As elites brasileiras são tão atrasadas que não aceitam nem Dr. Ulysses” – ouvi de Celso Furtado pouco antes da eleição.

Itamar

Mais um vice na presidência. Não era um Temer.

FHC

Teve a estabilidade da moeda, iniciada por Itamar no Plano Real. A esquerda não gosta dele, mas há que se reconhecer o seu papel na reconstrução da democracia brasileira.

Lula

Não sairíamos de Sarney para Brizola, mas saímos de FHC para Lula – um notável avanço no nosso processo civilizatório. Os erros do PT não apagarão o que houve de importante no seu governo.

Dilma

Não era para ser Dilma. Inviabilizou-se e foi inviabilizada.

Temer

Um desastre. O “tem que manter isso aí” não o derrubou, mas acabou o governo muito antes do fim.

*****

Bolsonaro

Jânio, Collor, Bolsonaro.

Mais uma aventura brasileira.

Quem quiser que ache o contrário, mas o que já vimos em três meses de governo não é normal.

Aos que creem, eu diria: “Oremos!”.