De volta ao Brasil, McCartney já foi tratado como lixo pop

Paul McCartney está de volta ao Brasil.

Na semana que vem, fará shows terça (26) e quarta (27) em São Paulo e sábado (30) em Curitiba, onde esteve pela última vez em dezembro de 1993.

Às vésperas de completar 77 anos, faz tempo que Paul é uma unanimidade no mundo do pop/rock.

Mas nem sempre foi assim.

Ele já foi considerado um verdadeiro lixo pop.

Precisou até de um livro – Many Years From Now – para tentar desfazer essa imagem.

Perrepistas e liberais.

Estados Unidos e União Soviética.

Flamengo e Vasco.

Sabem aquelas forças antagônicas?

Tipo Beatles e Rolling Stones?

Pois é. Um dia houve também John Lennon e Paul McCartney.

No início dos anos 1970, ou você era John Lennon ou era Paul McCartney.

Muito raramente havia espaço para os dois na mesma discoteca.

John Lennon era o gênio politizado.

Paul McCartney era o tolo que fazia muzak.

Uma bobagem sem tamanho que, em alguns, perdurou até a década de 1990!

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Nunca gostei dessa conversa.

Sempre amei imensamente os dois. Compreendendo que um era diferente do outro. Por isso, se completavam enquanto beatles.

John Lennon fez John Lennon/Plastic Ono Band. E Imagine.

Paul McCartney fez Band on the Run. E Venus and Mars.

E ainda teve George Harrison que fez All Things Must Pass. E Living in the Material World.

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Desde 2010, o relançamento dos discos de Paul McCartney, em caprichadas edições, propicia um feliz reencontro com o seu cancioneiro solo.

Já são 12 volumes remasterizados e com material inédito.

Agora mesmo, temos mais dois no mercado: Wild Life e Red Rose Speedway, da época do grupo Wings.

Foram execrados por críticos e ouvintes na primeira metade dos anos 1970.

Padeciam de um comercialismo vulgar – diziam os que detratavam Paul.

Hoje, são adoráveis. Reúnem rocks e baladas com a inconfundível e competentíssima assinatura do autor.

Não têm nada de lixo pop.

É pop/rock de primeira qualidade.