“Bolsonaro, vai tomar no…” foi um dos grandes hits do carnaval

Não há dúvida.

“Bolsonaro, vai tomar no…” foi um dos grandes hits do carnaval 2019.

Um grito espontâneo das multidões que brincaram nas ruas.

Houve outros hits, certamente, mas esse se destacou.

É ruim para um presidente eleito há quatro meses com 58 milhões de votos e um governo que tem apenas dois meses. Um presidente que, em tese, ainda deveria estar em lua de mel, como ocorrem nos governos novos.

Em dois meses, houve o vexame em Davos, a trapalhada com a Venezuela, a queda de Bebianno, os excessos dos filhos nas redes sociais, os laranjas do PSL, o episódio do Hino Nacional, a desnomeação ordenada a Moro. É muito para tão pouco tempo.

Em dois meses, não foi assim com Sarney, nem com Fernando Henrique, nem com Lula, nem com Dilma.

A gente olha para Bolsonaro e é natural que enxergue nele um muito provável despreparo para o exercício da presidência. E, junto a isso, uma inapetência para os indispensáveis rituais da liturgia do cargo.

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Parece evidente que o presidente não suportou o “vai tomar no…” que a multidão bradou.

Bolsonaro acusou o golpe na terça-feira de carnaval.

Primeiro, sem citar nomes, usou o Twitter para postar uma marchinha ridícula em resposta ao Proibido o Carnaval de Daniela Mercury e Caetano Veloso. Chamou de “artistas” – assim mesmo, com aspas – artistas que são Artistas – assim mesmo, com letra maiúscula.

Mais tarde, foi além do que se pode esperar de um presidente da República. Postou um vídeo, gravado durante o desfile de um bloco, tentando transformar a exceção em regra.

Obsceno. Escatológico. Pornô. Vi várias classificações. A Folha, em manchete no online, usou obsceno.

Não vou classificar. Prefiro dizer que é absolutamente incompatível com a postura de um presidente.

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Nos Estados Unidos, o deep state funciona muitíssimo bem. É quem controla os excessos de Trump.

No Brasil, sequer há deep state.

Quem, então, vai desarmar o palanque, confiscar o smartphone de Bolsonaro e dizer que ele comece a governar?