“Sei que eu sou bonita e gostosa…”

A cantora e atriz Edyr de Castro morreu nesta terça-feira (15) no Rio de Janeiro.

Tinha 72 anos e sofria do Mal de Alzheimer.

Ela se projetou na segunda metade da década de 1970 como integrante do grupo As Frenéticas.

Sei que eu sou bonita e gostosa

Sei que você me ama e me quer

Acho que só sabe mesmo quem foi contemporâneo.

As Frenéticas foram uma explosão de saúde e vitalidade no Brasil de 1978.

Quando elas conquistaram nossos corações e corpos, a ditadura militar já se aproximava dos seus estertores.

Tínhamos uma cena musical incrível, mas é preciso admitir que a esquerda era muito careta.

Havia a patrulha ideológica a dizer o que era e o que não era alienado.

Ouvir As Frenéticas? Pura alienação!

A sorte é que vozes sensatas defendiam o argumento de que a esquerda precisava se arejar.

Os versos de Perigosa continham irresistíveis provocações, e a música era absolutamente contagiante.

Nem o poeta Drummond, já se aproximando dos 80, resistiu à alegria das Frenéticas e confessou numa das suas crônicas no Jornal do Brasil.

A morte de Edyr de Castro me remeteu ao Brasil que dançou com As Frenéticas.

Tempo de muitos sonhos.

90 anos de Martin Luther King. Happy birthday, Dr. King!

Se estivesse vivo, Martin Luther King faria 90 anos nesta terça-feira (15).

Líder da não violência e das lutas pelos direitos civis na América, Dr. King foi assassinado em abril de 1968.

Tinha somente 39 anos.

Seu legado atravessou os 50 anos que nos separam da sua morte e permanece íntegro.

Em 1980, Stevie Wonder compôs uma canção de parabéns para Martin Luther King: Happy Birthday.

Happy birthday, Dr. King!

Saída de Edilane Araújo encerra capítulo fundador da televisão em JP

Erialdo Pereira, nosso editor regional, uma vez me disse, lá no comecinho de 1987:

Osias, a televisão em João Pessoa será o que nós fizermos dela.

Sabedor do meu amor pelos Beatles, ele brincou com a frase (“o rock será o que nós fizermos dele”) de Lennon. É claro que Erialdo tinha senso de proporção e tão somente adaptou a fala do músico à nossa diminutíssima realidade.

Mas, ao afirmar que a televisão em João Pessoa seria o que nós fizéssemos dela, ele chamava minha atenção para a importância daquele momento que vivíamos e para a responsabilidade que tínhamos nas mãos.

O anúncio de que Edilane Araújo está deixando o vídeo me faz pensar naquele tempo de 32 anos atrás. Na tela da TV Cabo Branco, ela é a última remanescente do grupo fundador da televisão em João Pessoa.

O que foi feito, o que se construíu, o que ficou estabelecido como cânone – tudo vem daquela equipe que pôs a emissora no ar e a fez crescer.

À frente do telejornal de maior audiência da televisão paraibana, entrando nas casas de milhares de pessoas todas as noites e “conversando” com elas, Edilane se transformou num ícone, num símbolo, num verdadeiro marco de competência e credibilidade.

O legado do que foi sedimentado ao longo dos anos encontrou nela a sua melhor tradução.

Quem mais tarde fez televisão como se estivesse fazendo rádio popular, seguiu outro caminho, bastante diferente do nosso. E muito menos crível.

O jornalismo no qual críamos era rigoroso com alguns parâmetros que foram caindo em desuso desde que o terremoto digital mudou a vida do homem do século XXI.

Vinda do teatro e do rádio, Edilane chegou muito cedo à TV (tinha apenas 22 anos). Sempre penso que o estúdio passou a ser o seu palco. Como Arnaldo Jabor, que, ao deixar de dirigir filmes, disse que seu cinema eram os comentários que fazia na televisão.

Edilane Araújo foi difusora da informação correta, precisa, bem checada. O inverso do que temos hoje na era das notícias falsas, que contaminam não apenas os não jornalistas soltos nas redes sociais, mas também jornalistas e até veículos de comunicação.

A âncora do telejornal noturno da TV Cabo Branco sai do ar num instante em que não se sabe como será o futuro da televisão. Nem do jornalismo.

Descobrir e pô-lo em prática não são mais nossos desafios. Nos próximos anos, com erros e acertos, os garotos e garotas que estão chegando às redações vão cuidar disso.

Da geração de Edilane, os que quiserem ainda permanecerão conectados, ligados nas transformações, atentos aos sinais. Ela própria, ao cuidar agora de uma gerência de qualidade na Rede Paraíba de Comunicação. Mas – como na bela canção de Milton Nascimento – nada (nunca mais) será como antes.

LP menos importante dos Beatles, Yellow Submarine faz 50 anos

Neste domingo (13), faz 50 anos que os Beatles lançaram o LP com a trilha da animação Yellow Submarine, da qual eram personagens.

O lançamento ocorreu menos de dois meses depois que o Álbum Branco chegou às lojas e coincidiu com o momento em que o grupo estava sendo filmado para o que viria a ser o documentário Let It Be.

O disco só tem canções dos Beatles no lado A.

Das seis faixas, quatro eram inéditas: Only a Northern Song, It’s All Too Much, All Together Now e Hey Bulldog.

Yellow Submarine já aparecia no LP Revolver, de 1966, e All You Need Is Love, num single de 1967.

O lado B contém a trilha instrumental que George Martin escreveu para o filme.

Pepperland é a mais bela dessas faixas compostas por Martin.

Yellow Submarine é o disco menos importante dos Beatles.

Seu maior pecado é não conter todas as canções do quarteto que estão no desenho animado.

Em 1999, já na era do CD, a compilação Yellow Submarine Songtrack resolveu o problema, ao reunir 15 músicas dos Beatles que estão no filme. Todas devidamente remasterizadas.

Mas, dessa vez, os temas instrumentais de George Martin ficaram de fora.

O colecionador precisa dos dois.

Álbum de estreia do Led Zeppelin chega inteiraço aos 50 anos

Neste sábado (12), faz 50 anos que foi lançado o álbum de estreia do Led Zeppelin.

O disco não tem título.

É identificado apenas pelo nome da banda e pela imagem, na capa, do Zeppelin pegando fogo.

Quando a gente pensa nos grandes grupos do rock, os Beatles vêm sempre em primeiríssimo lugar, e isso não é conversa de fã. É um cuidado para que as coisas sejam corretamente dimensionadas.

Depois deles, vêm os Rolling Stones.

E em seguida? O Led Zeppelin? O Pink Floyd?

Não sei ao certo, mas o fato é que o Zeppelin está em qualquer pequeníssima lista das maiores e mais importantes bandas de rock de todos os tempos.

Aos 50 anos, seu disco de estreia permanece vigoroso.

Com as bases do que seria o trabalho do Zeppelin, atravessou inteiraço esse meio século que nos separa daquele janeiro de 1969.

Um power trio a acompanhar um tremendo cantor. Rocks pesadíssimos para aquela época, blues devastadores, algo de folk.

Há 50 anos, o grupo entrou em cena como uma grande novidade, teve vida curta (pouco mais de uma década) e virou lenda.

O Led! – como diziam os malucos dos anos 1970.

Sim! O Led! – os que sobreviveram ainda são capazes de dizer.

Edilane Araújo deixa apresentação do JPB depois de 32 anos no ar

Edilane Araújo vai deixar de ser apresentadora da TV Cabo Branco.

A âncora do JPB 2a Edição se despede do vídeo em fevereiro.

Ela será substituída por Larissa Pereira na apresentação do telejornal de maior audiência da televisão paraibana.

A Rede Paraíba de Comunicação usou as redes sociais nesta sexta-feira (11) para fazer o anúncio.

Segue o comunicado sobre a saída de Edilane do vídeo:

Edilane Araújo vai deixar de apresentar o JPB 2ª Edição da TV Cabo Branco, afiliada Globo em João Pessoa.

A despedida dela do vídeo já tem data marcada: será em fevereiro.

A saída de Edilane do vídeo vem sendo amadurecida há algum tempo. É resultado de um caminho construído, conjuntamente, pela direção da Rede Paraíba de Comunicação e pela própria apresentadora.

Edilane Araújo é apresentadora da TV Cabo Branco desde que a emissora entrou oficialmente no ar, em janeiro de 1987. A maior parte desse tempo, como âncora do telejornal noturno.

A história de Edilane se confunde com a história da televisão paraibana. Como apresentadora, ela acompanhou os avanços tecnológicos no modo de fazer televisão, as primeiras transmissões ao vivo e encarou o desafio de se adaptar às mudanças de linguagem do jornalismo de TV.

Ao longo desses 32 anos, Edilane entrou na casa dos paraibanos e levou a informação correta, isenta e responsável produzida por toda a equipe da TV Cabo Branco. Nesse período, ela conquistou a maior marca que um jornalista almeja: a credibilidade.

Edilane deixa a bancada do JPB 2ª Edição, mas permanece na Rede Paraíba de Comunicação como gerente de Qualidade, cargo que ocupa há mais de um ano. Nessa função, Edilane coloca toda sua experiência na execução de novos projetos da rede, como foi a implantação da Rádio CBN em Campina Grande em 2018.

A apresentadora será substituída por Larissa Pereira, que já foi repórter da TV Cabo Branco e hoje está na Globo, no Recife. Larissa traz na bagagem a experiência da reportagem de rua e volta com o desafio de ancorar o telejornal de maior audiência da televisão paraibana.

Você vai de Bolsonaro, a Globo vem de Elis

O mundo tem muito mais possibilidades do que essa caretice que está aí

Elis, o filme de Hugo Prata, foi lançado há dois anos nos cinemas.

A cinebiografia não usou imagens reais, só a voz da cantora.

Andreia Horta brilhou fazendo Elis Regina num filme que não é excepcional, mas é muito necessário.

Agora, nesse início de 2019, Elis chega à Globo transformado numa minissérie de quatro capítulos que está em exibição desde terça-feira (08) e até amanhã (11).

A versão estendida é muito diferente do que vimos no cinema. Até o título foi expandido para Elis, Viver é melhor que sonhar, fazendo uso do verso da canção de Belchior.

Na TV, Elis é um docudrama. Mistura o filme de Hugo Prata com imagens reais de Elis Regina e do seu tempo, além de muitos depoimentos. Também há conteúdo ficcional que não está no cinema, como a entrevista que costura a narrativa.

Ficou melhor?

Ficou pior?

Ficou diferente.

E ainda mais necessário.

Na tela da Globo, depois da novela das nove, esse docudrama fala pra gente sobre coisas que continuam valendo na memória nacional, a despeito dessa estúpida onda ultraconservadora que atingiu o Brasil.

Elis Regina não é ficção. Muito menos a sua música. O tempo em que Elis viveu também não é ficção. A ditadura e a violência do regime de exceção eram muito mais reais do que vemos na tela da TV.

No Brasil real, 2019 começa com Bolsonaro chegando ao poder.

Nesse docudrama sobre Elis, temos um Brasil que foi real anos atrás.

Esse Brasil de ontem permite um contraponto com o Brasil de hoje.

É positivo que seja assim.

Enquanto você vai de Jair Bolsonaro, a Globo vem de Elis Regina!

A Whiter Shade of Pale. Essa canção ainda mexe com você?

Todo mundo conhece essa canção.

Mas não necessariamente pelo título.

A Whiter Shade of Pale, disco de estreia do grupo Procol Harum.

A influência da música barroca (de Bach) é nítida.

A voz é de Gary Brooker.

A Whiter Shade of Pale atingiu o topo das paradas em 1967 e está bem guardada na memória afetiva de milhões de pessoas.

Em Contos de Nova York, ela é usada no episódio dirigido por Martin Scorsese.

Vamos ouvir?

 

ELVIS ESTÁ VIVO!

ELVIS ESTÁ VIVO! – maluquice de americano, é claro!

O que vive é a sua música. Já tem mais de seis décadas.

Nesta terça-feira (08), se vivo estivesse, Elvis Presley faria 84 anos.

Fiz um top 10 dos seus discos. Estão na ordem cronológica.

Os cinco primeiros são de estúdio. Os cinco últimos foram gravados ao vivo.

ELVIS PRESLEY

ELVIS

LOVING YOU

ELVIS IS BACK

FROM ELVIS IN MEMPHIS

ELVIS NBC TV SPECIAL

ELVIS IN PERSON

ELVIS ON STAGE

ELVIS AS RECORDED AT MADISON SQUARE GARDEN

ELVIS ALOHA FROM HAWAII VIA SATELLITE

Bowie foi homem e mulher, hétero e homo, velho e novo

Sexta-feira, oito de janeiro de 2016.

Na minha coluna na CBN, falei de dois aniversariantes do dia, Elvis Presley e David Bowie.

Elvis, se vivo fosse, estaria completando 81 anos.

Bowie festejava 69 com o lançamento de Black Star, seu novo disco.

Não imaginávamos que o artista estava morrendo.

Na segunda-feira, 11, acordamos com a notícia: David Bowie morrera no domingo.

Provavelmente, um suicídio assistido. Era paciente terminal com câncer no fígado.

David Bowie, com alguns dos seus melhores discos, fez parte da minha adolescência.

Primeira metade dos anos 1970.

O dono dos discos – um amigo da vizinhança – foi longe demais nas histórias de Bowie. Levado por homenzinhos verdes – relatou – numa nave imensa, pisou no planeta vermelho e voltou para casa.

Voltou mas não voltou. Se é que me entendem.

Os discos de Bowie saíram da minha vida junto com o surto do meu amigo. Nem cheguei a alcançar, com o olhar contemporâneo, a trilogia Low, Heroes e Lodger.

Somente em 2012, nos 40 anos de Ziggy Stardust, recuperei Bowie – esse artista imenso.

Cada disco das audições da adolescência. E os que se seguiram. Um a um. Numa corrida em busca do tempo perdido. Um pouco menos de quatro anos, entre a redescoberta de Ziggy e a morte do artista.

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O David Bowie que me restou, entre o quadragésimo aniversário de Ziggy Stardust (ainda de devastadora beleza) e o dia em que amanheci com a inesperada notícia de sua morte, tem o sabor inevitável de uma descoberta tardia. Mas não ouvi-lo teria sido muito pior. Não tê-lo a enriquecer a minha discoteca equivaleria, de resto, a ignorar o óbvio: o que sua música e sua figura (performance no palco, cinema, moda, comportamento, ousadia, experimentalismo) representam para a cultura pop da segunda metade do século passado.

A tese tropicalista de entrar em todas as estruturas e sair (inteiro) delas, Bowie viveu intensamente em sua carreira. Do pop mais banal ao experimentalismo mais ousado. Até o jazz que norteara a excepcional Sue, de 2014, que remete ao Milton Nascimento de Cais e Trastevere. Se me perguntam pelo Bowie que prefiro, digo que é o dos anos 1970, talvez pelo gosto do olhar contemporâneo. Mas o melhor é ouvi-lo todo. Só o conjunto dará a dimensão do artista extraordinário que ele foi.

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Três CDs duplos ao vivo foram lançados depois da sua morte. Cracked Actor é semelhante a David Live dos anos 1970. Welcome to the Blackout é parecido com Stage, também da década de 1970. Glastonbury 2000 chegou ao mercado no final de 2018. O título já diz tudo: traz o registro do show de Bowie na edição do ano 2000 do Festival de Glastonbury. Podemos juntá-los a outro duplo ao vivo editado quando o artista ainda estava vivo: Reality Tour.

São retratos expressivos de Bowie no palco.

Nos estúdios e nos palcos, David Bowie deixou as marcas de um grande artista pop do seu tempo. Na música e fora dela, Bowie era tudo. Foi homem e mulher, hétero e homo, velho e novo.