Você vai de Bolsonaro, a Globo vem de Elis

O mundo tem muito mais possibilidades do que essa caretice que está aí

Elis, o filme de Hugo Prata, foi lançado há dois anos nos cinemas.

A cinebiografia não usou imagens reais, só a voz da cantora.

Andreia Horta brilhou fazendo Elis Regina num filme que não é excepcional, mas é muito necessário.

Agora, nesse início de 2019, Elis chega à Globo transformado numa minissérie de quatro capítulos que está em exibição desde terça-feira (08) e até amanhã (11).

A versão estendida é muito diferente do que vimos no cinema. Até o título foi expandido para Elis, Viver é melhor que sonhar, fazendo uso do verso da canção de Belchior.

Na TV, Elis é um docudrama. Mistura o filme de Hugo Prata com imagens reais de Elis Regina e do seu tempo, além de muitos depoimentos. Também há conteúdo ficcional que não está no cinema, como a entrevista que costura a narrativa.

Ficou melhor?

Ficou pior?

Ficou diferente.

E ainda mais necessário.

Na tela da Globo, depois da novela das nove, esse docudrama fala pra gente sobre coisas que continuam valendo na memória nacional, a despeito dessa estúpida onda ultraconservadora que atingiu o Brasil.

Elis Regina não é ficção. Muito menos a sua música. O tempo em que Elis viveu também não é ficção. A ditadura e a violência do regime de exceção eram muito mais reais do que vemos na tela da TV.

No Brasil real, 2019 começa com Bolsonaro chegando ao poder.

Nesse docudrama sobre Elis, temos um Brasil que foi real anos atrás.

Esse Brasil de ontem permite um contraponto com o Brasil de hoje.

É positivo que seja assim.

Enquanto você vai de Jair Bolsonaro, a Globo vem de Elis Regina!