Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis, fará filme sobre os Beatles

Nesta quarta-feira (30), a mídia dedicou espaço aos 50 anos da última apresentação ao vivo dos Beatles, o rooftop concert.

Mas todos foram surpreendidos pelo anúncio oficial de que o cineasta Peter Jackson, da triologia O Senhor dos Anéis, está se debruçando sobre 55 horas de material inédito de vídeo (+ 140 horas de áudio) dos Beatles – justamente aquelas filmagens de janeiro de 1969, agora cinquentenárias.

Ao longo do mês de janeiro de 1969, em Londres, os Beatles foram filmados pelas câmeras do diretor Michael Lindsay-Hogg. O resultado é o documentário Let It Be, lançado em 1970, quando a banda já havia se desfeito.

Let It Be, o filme, nunca foi oficialmente lançado em VHS, Laser Disc, DVD ou Blu-ray. As cópias disponíveis, inclusive no Youtube, são de má qualidade e não são oficiais.

Uma cópia restaurada de Let It Be, em DVD e Blu-ray, é o que os fãs dos Beatles esperam para 2020, quando o documentário fará 50 anos.

Mas a notícia desta quarta-feira foi ainda melhor. Além do relançamento do filme de 1970, haverá o documentário de Peter Jackson.

Enquanto se fala da morte das mídias físicas, os colecionadores que se preparem: ainda não acabou!

Beatles fizeram última apresentação ao vivo há 50 anos

Londres.

30 de janeiro de 1969.

Na hora do almoço, os Beatles subiram no telhado da Apple e se apresentaram juntos ao vivo pela última vez.

Nesta quarta-feira (30), faz 50 anos.

O rooftop concert foi filmado e está no documentário Let It Be.

Os Beatles lançaram o Álbum Branco em novembro de 1968.

Em janeiro de 1969, deram início a um novo projeto.

Os quatro foram para um estúdio de cinema ensaiar, “vigiados” pelas câmeras do diretor Michael Lindsay-Hogg. Trabalhavam num disco que deveria se chamar Get Back e planejavam um show ao vivo.

Paul McCartney e George Harrison não se entenderam. George foi para casa. As filmagens não prosseguiram.

Dias mais tarde, os Beatles se reencontraram na sede da Apple, a gravadora deles. O tecladista Billy Preston, que tocara com Little Richard e Ray Charles, se incorporou à banda.

A luz artificial de cinema deu lugar a um ambiente claro, onde rolaram divertidas jam sessions.

No dia 30 de janeiro, afinal, a ideia do show foi concretizada, só que sem plateia.

Ou melhor: para uma plateia de transeuntes que ouviam o som, mas não viam a banda.

Os Beatles estavam no telhado da Apple, fazendo um pequeno show. Mostravam cinco músicas.

Houve reclamações. A Polícia foi chamada. E assim terminou a última apresentação ao vivo dos Beatles.

No agradecimento, John Lennon disse:

Espero que tenhamos sido aprovados pela audiência.

Claro que foram!

*****

O disco Get Back nunca foi lançado com este título. Virou Let It Be, que chegou às lojas em maio de 1970.

O filme Let It Be também chegou aos cinemas em 1970.

É um retrato do fim dos Beatles.

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As músicas do rooftop concert:

Get Back

Don’t Let Me Down

I’ve Got a Feeling

One After 909

Dig a Pony

Cineasta que filmou Beatles e Stones é filho de Orson Welles

Michael Lindsay-Hogg.

Pouca gente sabe quem é ele.

Menos ainda que é filho de Orson Welles com uma atriz com quem o diretor de Cidadão Kane teve um relacionamento.

O cineasta Michael Lindsay-Hogg não tem uma obra relevante, mas colocou seu nome junto de gente muito importante do mundo da música popular.

Beatles e Rolling Stones. Simplesmente.

Lindsay-Hogg dirigiu Let It Be, documentário que registrou o fim dos Beatles.

As filmagens, em janeiro de 1969, incluíram o último show que o grupo realizou.

Um pouco antes, em dezembro de 1968, Michael Lindsay-Hogg dirigiu Rock and Roll Circus, uma maratona de shows comandada pelos Rolling Stones.

A filmagem não agradou à banda e ficou inédita até 1996.

Tem indiscutível valor histórico por reunir, além dos Stones, John Lennon, Eric Clapton e The Who.

Mais tarde, em 1981, já na era do VHS, vamos encontrá-lo dirigindo The Concert in Central Park, que documentou o reencontro da dupla Simon & Garfunkel num fabuloso show em Nova York.

Michael Lindsay-Hogg, quando fez televisão, foi pioneiro do promo, espécie de “pai” do videoclipe.

O cineasta dirigiu os Beatles e os Rolling Stones em vídeos promocionais tais como os de Revolution (Beatles) e Jumping Jack Flash (Stones).

Quem vê esses dois vídeos reconhece a assinatura do diretor.

Se não bastasse, o cara, hoje com 78 anos, ainda é filho de Orson Welles!

Morre Sérgio de Carvalho, produtor de grandes discos da MPB

Morreu Sérgio de Carvalho.

Produtor de grandes discos da MPB, ele tinha 68 anos.

A causa da morte não foi divulgada pela família.

Sérgio de Carvalho queria ser músico.

Na década de 1960, tocou bateria em grupos amadores, mas não seguiu o caminho dos irmãos Dadi e Mu, que se tornaram instrumentistas profissionais.

A música, no entanto, ficou na vida de Sérgio.

A partir da década de 1970, ele se transformou num requisitado produtor de discos.

Primeiro, na velha PolyGram.

A produção dos álbuns Meus Caros Amigos e Chico Buarque 1978 tem a assinatura dele.

Da PolyGram, Sérgio de Carvalho foi para a Sony, depois para a BMG.

Em 1986, dirigiu, na TV Globo, a série de programas Chico & Caetano, que reuniu o primeiríssimo time da música popular brasileira em especiais exibidos uma vez por mês.

Atualmente, estava na Universal Music.

Djavan chega aos 70 anos como um dos grandes nomes da MPB

Em meados dos anos 1970, a Globo exibia a publicidade do disco de estreia de Djavan, que era contratado da Som Livre. Muita gente identificava nele algo dos sambas de Gilberto Gil.

O disco não aconteceu. O compositor alagoano esperou alguns anos até conquistar de fato dimensão nacional.

As coisas foram ocorrendo aos poucos.

Em 1978, Maria Bethânia gravou Álibi. A canção deu título a um dos discos mais populares dela.

Djavan trocou a Som Livre pela EMI e lá gravou três álbuns. No terceiro, Seduzir, já era reconhecido como um novo talento pelo público e pela crítica.

Nova troca de gravadora. Na Sony, começou com o LP Luz, gravado nos Estados Unidos com a participação de Stevie Wonder na faixa Samurai.

Àquela altura, início dos anos 1980, começava a figurar entre os grandes da MPB e lotava os lugares por onde passava em turnê.

Seus sambas realmente tinham muito dos sambas de Gil.

Sua música era melódica e harmonicamente sofisticada e trazia as marcas de um letrista inspirado.

Havia mais: a intimidade com o violão, a beleza da voz e o domínio do scat.

Djavan tinha o perfil do artista que fazia sucesso em seu país e chamava a atenção de músicos americanos, sobretudo os do jazz e áreas afins.

Ao longo dos anos, fazendo mais ou menos sucesso, ele construiu um repertório sólido que o inseriu no primeiro time da música popular brasileira.

Aos 70 anos, completados neste domingo (27), Djavan oferece ao seu público um disco primoroso (Vesúvio). As novas canções trazem toda a beleza da sua assinatura.

CD com Natalie Dessay é belo songbook de Michel Legrand

Michel Legrand morreu aos 86 anos.

Era um dos maiores compositores de música popular do mundo, sem qualquer exagero.

Um leitor me pede uma sugestão: Legrand em um disco.

Faço uma escolha pouco óbvia:

Entre elle et lui – Natalie Dessay sings Michel Legrand.

Esse disco foi lançado há cinco anos.

Legrand ao piano (e cantando um pouco), + contrabaixo e bateria, recebe Dessay para um reencontro com seu repertório.

É uma espécie de songbook que, em 18 faixas, reúne, basicamente, música composta para cinema.

Les Demoseilles de Rochefort, Les Parapluies de Cherbourg, Peau d’Ane, The Thomas Crown Affair, Summer of 42, Yentl. Está tudo no CD, que foi lançado no Brasil pela Warner Classics.

Entre Elle et lui é um disco de belíssimos clássicos do popular revisitados com uma pegada jazzística.

Superb!

Legrand foi um dos maiores nomes da música popular do mundo

Morreu o compositor francês Michel Legrand, um dos mestres da música escrita para cinema.

Ia fazer 87 anos em fevereiro.

A causa da morte não foi revelada.

No anos 1960, quando quis dizer que Antônio Carlos Jobim era o maior compositor popular do mundo, Vinícius de Moraes perguntou:

Quem são os outros?

Henry Mancini?

Michel Legrand?

Havia mais (Ellington, Rota), porém, ao juntar Jobim, Mancini e Legrand, Vinícius não só confirmou o tamanho do parceiro, como falou da dimensão extraordinária dos outros dois.

Lembro disso agora que leio a notícia da morte de Michel Legrand.

Foi um gigante, onde quer que tenha posto o seu talento.

O maior legado é, certamente, a música que compôs para o cinema, o território que também lhe deu mais reconhecimento.

Era, a rigor, um maestro, um músico de formação erudita a serviço de temas populares. Peças instrumentais, canções – não importa, as pequenas joias que escreveu para os filmes estão na memória de milhões de pessoas pelo mundo. Gente que nem sabe quem é o autor daquelas músicas.

Legrand trabalhou com os homens do jazz, flertou com a música que os brasileiros produziram a partir da Bossa Nova. Tocava piano, cantava lindamente.

Sabia ser complexo e simples ao mesmo tempo. Era refinado e pop.

Michel Legrand foi um dos maiores compositores de música popular do mundo.

Zé Ramalho sintetiza no palco quatro décadas de sucesso

O CD (duplo) e o DVD (simples) se chamam Zé Ramalho na Paraíba.

O título dialoga com Zé Ramalho da Paraíba, como Zé foi chamado há mais de quatro décadas, no período em que batalhava para conquistar dimensão nacional.

O registro de áudio e vídeo foi feito em maio do ano passado no Teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa.

Nesta sábado (26), às 21 horas, Zé Ramalho e sua banda voltam ao Pedra do Reino para lançar o CD e o DVD com este show que celebra 40 anos de carreira do artista.

Confira o set list (provável) do show:

O que é, o que é?
Tá tudo mudado
Kryptônia
Beira-mar
Entre a serpente e a estrela
Táxi lunar
A terceira lâmina / Banquete de signos
Eternas ondas 

Avôhai
Vila do sossego
Chão de giz
Garoto de aluguel
Admirável gado novo
Frevo mulher
Sinônimos
A vida do viajante

No Aniversário de Jobim, o Maestro Soberano década a década

Se estivesse vivo, Antônio Carlos Jobim faria 92 anos nesta sexta-feira (25).

Vamos revisitá-lo década a década?

Anos 1950

O Tom que o Brasil e o mundo conheceram começa quando, em 1956, nasce a parceria com Vinícius de Moraes em Orfeu da Conceição. Uma bela síntese do que fizeram está no disco Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, lançado em 1958. Em duas faixas, o violão de João Gilberto oferece o esboço da Bossa Nova. Em seguida (1959), Chega de Saudade, o LP de João arranjado por Jobim, reinventa o samba e muda para sempre a música popular brasileira.

Anos 1960

A Bossa Nova projeta internacionalmente a música brasileira. Gravado nos Estados Unidos, o primeiro disco de Jobim (The Composer of Desafinado Plays) parece um greatest hits. O LP Getz/Gilberto divulga Garota de Ipanema, de Tom e Vinícius, em escala planetária. Frank Sinatra grava um disco com Jobim, que, no Brasil, é vaiado porque seu protesto político (dividido com Chico Buarque) não é tão explícito quanto o de Geraldo Vandré.

Anos 1970

Na virada dos 60 para os 70, Tom faz discos nos quais predominam os temas instrumentais. Depois vem o seminal Matita Perê (1973). O maestro grava Águas de Março, verdadeira obra-prima do seu cancioneiro. É um popular que dialoga com o erudito, sob a batuta de Claus Ogerman. Fala em ecologia antes que a palavra fosse moda, chama de Urubu seu novo disco. Passa um ano em cartaz com Vinícius, Toquinho e Miucha, no palco do Canecão.

Anos 1980/90

Mundialmente consagrado, nem sempre reconhecido com justiça no Brasil. Forma a Banda Nova, o grupo que divide palcos e estúdios com Tom em sua última década de vida. Seus shows pelo mundo e seus derradeiros discos (Tom Jobim InéditoPassarim, Antônio Brasileiro) são uma celebração da grande música que criou. Revistos e reouvidos hoje, confirmam o seu extraordinário legado, a infinita beleza e a permanência da sua obra.

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Nascido em Nova York, George Gershwin, mestre da música americana, fez do jazz uma de suas fontes. Nascido no Rio de Janeiro, Antônio Carlos Jobim se debruçou sobre o samba, grande expressão da música popular do Brasil. Sua versão do samba carioca é, a um só tempo, popularíssima e (harmônica e melodicamente) complexa. Como nas outras “praias” que visitou. Modinha, valsa, toada, baião, frevo – há uma marca de excepcional qualidade em tudo o que fez.

Mas há, sobretudo, o amor à música e uma crença singular nos destinos do Brasil!

Viva o Maestro Soberano!

PROIBIDO O CARNAVAL!

Já está nas plataformas digitais a música de Caetano Veloso e Daniela Mercury para o carnaval 2019.

Proibido o Carnaval é o título.

É uma deliciosa provocação a essa onda ultraconservadora que atinge o Brasil.

Vamos ouvir?