Se CHAPLIN é gênio, TEMPOS MODERNOS é clássico absoluto

Revi um dos meus filmes prediletos. Boa cópia em BD.

Tempos Modernos é de 1936.

É um clássico absoluto do cinema.

Uma extraordinária sátira da mecanização, Tempos Modernos confirma o ápice da criação chapliniana, diz Jean Tulard no seu dicionário de cineastas.

Tempos Modernos retrata o tempo em que foi feito (os EUA da Depressão) e o engajamento político do artista. Mas o seu humanismo e a sua infinita beleza estética colocam o filme num patamar de permanência que o faz eterno. Ao menos enquanto houver excluídos no mundo.

Tempos Modernos tem grandes imagens, grandes sequências. Selecionei quatro momentos.

Uma das imagens icônicas do cinema:

Carlitos é engolido pela máquina.

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Outra imagem inesquecível:

Carlitos, acidentalmente, levanta uma bandeira vermelha e é confundido com um líder operário.

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Carlitos canta. As palavras não importam.

Na luta de Chaplin com o cinema sonoro, o gestual explica tudo.

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The end.

Carlitos e a órfã (Paulette Goddard).

“Teus sapatos e teu bigode caminham numa estrada de pó e de esperança” (Drummond).

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Dilma deu lição de Democracia que é muito pouco lembrada

Essa foto de Dilma com quatro ex-presidentes foi muito criticada, mas não devia ter sido.

Penso nela agora por causa da morte de Bush pai.

Uma coisa admirável na Democracia americana é o respeito às instituições.

É a confirmação do quanto são fortes as instituições.

Partido é partido, campanha é campanha, mas, na posse, todos estão lá. E o fazem em reverência ao que a presidência da República representa.

Lembro da posse de Trump, em janeiro de 2017.

Velho e doente, Carter pegou um avião de carreira e foi para Washington. Ao seu lado, Clinton (cuja mulher acabara de ser derrotada por Trump), Bush filho e, claro, Obama, que estava entregando o cargo ao eleito. Bush pai não foi por causa dos problemas de saúde.

Aqui, é muito diferente.

Fiquemos com exemplos locais. Burity renunciou horas antes para não dar posse a Ronaldo. Maranhão renunciou horas antes para não dar posse a Ricardo, etc.

Vimos, agora mesmo, na eleição presidencial.

Não importa o que Bolsonaro disse de Haddad (Trump disse horrores de Hillary na campanha).

O candidato derrotado deveria ter ligado para o candidato vitorioso. O reconhecimento da derrota, seguido do cumprimento ao telefone, fortalece a Democracia. É simples assim.

Volto à foto de Dilma. Ao seu lado, estão os ex-presidentes Sarney, Lula, FHC e Collor. Viajaram juntos, a convite de Dilma, para o funeral de Nelson Mandela, o grande líder da África do Sul.

Lição de Democracia, essa foto é muito mais importante do que pensam os seus críticos.